Uma nova publicação periódica brasileira no exterior –Rivista di Cultura Brasiliana
Acaba de sair, isto em setembro de 2012, o n° 1 da Rivista di Cultura Brasiliana, publicada pela Embaixada di Brasil em Roma e observando a regra de divulgar toda sua matéria em língua italiana. Programada para ser uma publicação realizada sobre forma temática, este primeiro número recebeu o subtítulo de Sguardi italiani (Olhares italianos). O n° 2, já em final de impressão, tomará o subtítulo da tema geral que conduz a nova edição: Clarice Lispector.
A publicação da Embaixada Brasileira em Roma tem um histórico modelo, do qual tira toda a sua atual estrutura, a muito famosa Revista de Cultura Brasileña, criada por João Cabral de Melo Neto no seu consulado-geral de Barcelona, depois absorvida pela Embaixada do Brasil em Madrid. A transferência do modelo para moldar o novo periódico feito na Itália e endereçado principalmente ao público italiano se deve à ação do Conselheriro Acir Madeira Pimenta Filho, atual chefe do Setor Cultural da Embaixada do Palazzo Pamphily, anteriormente em serviço na Embaixada de Madrid, assistido pela colaboração de Maria Caterina Pincherle, funcionária da Embaixada e em serviço no Ufficio Culturale da mesma. O número inaugural, assim como acontecerá com o segundo que divulgará ainda mais a figura e a obra de Clarice Lispector, tem igualmente os dois na sua organização geral.
A nova Revista brasileira se apresenta graficamente com excelentes soluções, sob a responsabilidade gráfica de Marianna della Bella. Tais positivas soluções tem como ponto inicial uma sugestiva capa, seguida das 108 páginas do volume, toda de agradével leitura e enriquecida por variadas ilustrações.
O índice da matéria de que se compõe o volume dos Sguardi italiani traz nomes de cultores universitários da cultura brasileira, infelizmente porém numa incompreensível concentração tão somente no ambiente universitário romano, com algumas derivações diretas do mesmo, e por nomes famosos de italianos dos mais diversos setores, todos interessados e particularmente debruçados sobre a realidade artística e cultural do Brasil.
Depois de concisa e oportuna apresentação do atual chefe da missão brasileira em
Roma, embaixador José Viegas Filho, o rico sumário da Rivista se apresenta com: “Brasile: il <gusto> della formazione”, de Roberto Vecchi: “Somewhere night”, de Massimialiano Fuksa: “Una <História do Futuro>, de Paolo Rossi; Ennio Morricone com “Ricordo del Brasile” e “Scrivere per il cinema. Aspetti e problemi di un’attività compositiva del nostro tempo”; Ettore Finazzi-Agrô; “Tra disposizione e deposizione. La scrittura come straniamento e come testimonianza in Clarice Lispector”; “Il mio Brasile”, de Fiorella Mannoia; Mimmo Jodice, “Sguardo su San Paolo”; “Gli italiani in Brasile: la nascita di una nazione”, de Guido Clemente.
Entre esses artigos e ensaios, merece particular ressalto a contribuição (pp. 94-107) do prof. Guido Clemente, docente de história romana da Universidade de Florença e ex-diretor do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo no período de 2001 a 2005. As suas reflexões trazem a força de uma inteligente observação de um mundo novo, a partir, em particular da importante contribuição fornecida pela imigração italiana em terras brasileiras. Um único senão do artigo o vemos na ambiguidade, certamente não desejada pelo autor, dos termos do título do mesmo. O conceito nação no Brasil tem as suas raízes na Conjuração mineira, de 1789, para partir concretamente do ato da Independência brasileira, de 7 de setembro de 1822. A outra contribuição que muito se salienta no conjunto deste primeiro número da Rivista di Cultura Brasiliana é o ensaio de Ettore Finnazzi-Agrô, docente di letteratura portoghese e brasiliana da Univerisidade de Roma “La Sapienza”, sobre a inovadora escritura de Clarice Lispector, pp. 66-81.
A Rivista di Cultura Brasiliana merece todo o apôio dos estudiosos do fenômeno brasileiro, de particular saliência no concerto mundial no momento atual e com perspectivas de ainda maiores conquuistas no próximo futuro. Conquistas que certamente interessarão diretamente aos brasileiros, mas que serão igualmente apanágios de todo o resto do mundo de tendência progressista. A Revista chega já ao seu setundo número, com uma boa e copiosa distribuição. Para um próximo número da publicação ainda dentro deste ano de 2013 tenho a propor à sua direção a publicação de número especial da Rivista sobre um evento italo-brasileiro que ocorre no presente 2013: os 50 anos do Português e das literaturas do Brasil e de Portugal na Universidade de Pádua, com derivação cronológica igualmente para aquela de Veneza. Desta forma, nos propomos, o criador do ensinamento universitário e sua sucessora na direção do Setor em Pádua, a prof.a Sandra Bagno, nos propomos a realizar um volume sob o título geral – Rivista di Cultura Brasiliana / 50 anni del Portoghese e della Letteratura brasiliana a Padova.
Queremos concluir este artigo relacionado com a nova Revista brasileira na Itália, comentando uma posterior iniciativa encetada e levada a bom êxito pelo Conselheiro Acir Pimenta Madeira Filho, sempre ligado à sua precedente experiência diplomática na Espanha. Trata-se da criação da FIBRA-Fondazione Culturale Italo Brasiliana, criada pela Embaixada do Brasil em Roma e pelo Reitorado da Universidade de Bologna. O Setor cultural da Embaixada de Palazzo Pamphily propôs a entidade bolonhesa para ser a referência local da FIBRA por ser a Universidade de Bolonha a mais antiga sede universitária da Itália, tendo sido fundada em 1212. A partir desse encontro a FIBRA é presidida alternadamente pelo Embaixador brasileiro em Roma e pelo Reitor da Universidade de Bolonha. A Fundação que é financiada por fundos oficiais e particulares tem como objetivo a promoção de estudos e pesquisas sobre o Brasil e a difusão da cultura brasileira nas suas mais variadas formas de expressão. Tendo a sua sede funcional no Palazzo Doria Pamphiliy (Piazza Navona, Roma), a FIBRA mantém sua base insttucional junto à sede histórica da Università di Bologna. Entre as muitas promoções devidas à nova Fundação encontra-se aquela das visitas de escitores braasileiros na Itália, quando os mesmos realizam conferências em Roma e em Bolonha. Sendo uma tal promoção de grande significado cultural, espera-se que muito brevemente, quando um convidado da FIBRA se apresentar em Bolonha alargue igualmente a sua presença diante dos estudantes de Língua Portuguesa e de Literaturas Brasileira e Portuguesa da Universidade de Pádua, uma das mais frequentadas sedes do setor em toda a Itália. O último escritor convidado pela FIBRA foi o historiador e ensaísta Boris Fausto, autor de uma excelente História do Brasil..
A grande finalidade do encontro entre o Brasil e a Itália e a nova Fundação é aquele de estabelecer um intenso programa de reciprocas trocas entre os campos da investigação científica dos dois Países. Neste momento o Brasil desenvolve uma particular e profunda política a favor da investigação científica, por isso oferecendo inéditas condições de trabalho e pesquisas aos jovens estudiosos italianos.
O vasto programa da FIBRA não se deve confinar à sede privilegiada de Bolonha, mas dali partir para a conquista de outros partners, entre os quais deve estar necessariamente a Università di Padova que desde há tempo mantém grande intercãmbio com o ambiente universitário do Brasil.
