por Rui Oliveira
Como é sabido, este Festival procura distinguir alguma da mais significativa produção nacional no panorama das músicas de vanguarda – nos mundos da eletrónica, da livre improvisação e das tangentes ao vasto espectro do rock e do jazz – assinalando as grandes referências do presente, contextualizando a influência dos seus mais importantes precursores e abrindo portas às visões de futuro.
Ao celebrar alguns dos nomes e projectos merecedores de destaque, abre também espaço para projectar artistas aos quais reconhece capacidade para, num futuro próximo, alargar e enriquecer os horizontes da criação musical contemporânea em Portugal.
Segue-se-lhe, às 22h30, Filho da Mãe, recente nome de Rui Carvalho que, nesta rapidíssima evolução ascencional vindo dos “If Lucy Fell”, marca (segundo os seus apreciadores unânimes) a passagem a “um universo acústico assombroso de beleza e sensibilidade”, expresso no disco «Palácio», editado pela Rastilho, que de alguma forma “deixa passar um certo carácter de portugalidade, abstracta sim, mas reconhecível a um nível primordial: o das emoções”.
Mostramo-vos uma sua recente actuação (Abril de 2012), preparando a sua participação no Festival Rescaldo onde será gravado o seu primeiro álbum com a chancela da Shhpuma Records :
Noutro ponto da cidade, nesta mesma Sexta-feira 8 de Fevereiro, mais exactamente no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, num espectáculo de nome “Grip 5” toca o colectivo Grip, composto aqui por Gonçalo Prazeres saxofones alto e barítono, Francisco Andrade saxofones tenor e soprano, Ricardo Barriga guitarra eléctrica, João Lencastre bateria e Ricardo A. Freitas baixo eléctrico, sendo este último o autor das composições.
Diz o folheto de apresentação que “… GRIP é um quarteto … com composições de Ricardo A. Freitas, entre a subtileza de linhas e uma prática colectiva mais directa e enérgica … estrutura mínima para a composição de motivos angulares, em contraponto, de encontro a uma certa energia do rock na liberdade da improvisação …”
Um seu tema “Ágoráquia” gravado na sala de ensaios do Timbuktu em Março de 2012 soa assim :
É um espectáculo de carácter itinerante, baseado na Batalha de Aljubarrota, com forte influência dos nossos Cancioneiros populares e de poetas da nossa região de Leiria (sede da Companhia) como José Travassos Santos, Abraul Gandarense, António Meneses de Sá Pessoa e Acácio de Paiva.
Em 1385 um clima de guerra instala-se sacudindo a normalidade do dia-a-dia. Uma menina que foge de casa na esperança de mudar o mundo, segue os irmãos que vão para a batalha, colocando a sua mãe numa louca procura.
À medida que passa por várias gentes, vários lugares, esta Mulher muda a sua perspectiva em relação ao que a rodeia.
O vídeo abaixo resume bem este “espectáculo simples, popular e de fácil leitura, que retrata o amor de uma mãe que tudo fará para garantir a segurança da sua família”.
Regressando aos eventos melódicos, desperta inegavel interesse a vinda a Lisboa, ao Lux Frágil, às 23h desta Sexta-feira 8 de Fevereiro, do cantor e letrista norte-americano Mark Eitzel apresentar o seu último CD a que chamou “Don’t Be A Stranger”.
Este é o tema “I Love You but You Are Dead” do seu álbum “Don’t Be A Stranger” :
No jazz o Hot Club de Portugal e durante 3 dias (de Quinta 7 a Sábado 9 de Fevereiro), às 23h, João Firmino, depois de lançar o seu primeiro álbum “A Bolha” em 2010, traz-nos agora “A Casa da Árvore”. O novo disco, em trio com João Hasselberg no contrabaixo e Luís Candeias na bateria e com a participação especial de Rita Martins na voz, é composto por 9 temas originais do grupo.
Neste concerto o trio faz-se acompanhar pelo saxofonista Desidério Lázaro, parceiro de longa data deste grupo.
Um trailer preparado pela editora Sintoma Records explicando a génese do álbum pode ser visto aqui : http://youtu.be/j_TnnwnaQYI
Entretanto no Onda Jazz, às 22h30, volta a actuar o “The Mingus Project” com Diogo Duque trompete, Ricardo Toscano saxofone, Dan Hewson piano, Nelson Cascais contrabaixo e Vasco Furtado bateria (que o Pentacórdio diversas vezes noticiou).
Ainda no campo musical, mas de acesso livre e formativo, dentro dos Pré-concertos que a Gulben Música organizou sobre “Grandes obras do repertório da temporada 12/13 da Orquestra Gulbenkian”, há, nesta Sexta-feira 8 de Fevereiro, às 18h, no Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, uma nova sessão de 45 min., comentada pelo seu orientador Pedro Moreira, onde o tema é a Sinfonia nº 1 em Dó menor de Johannes Brahms.
Como habitualmente esta obra será apresentada, discutida e analisada evitando termos demasiado técnicos, mas sem receio de explorar os pilares da construção musical, com recurso a exemplos musicais ao piano ou em pequenos grupos, constituídos por jovens músicos.
Objectivo : preparar uma audição informada para o concerto que se lhe segue às 19h pela Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro checo Jakub Hrusa, acompanhado ao piano por Piotr Anderszewski.
A entrada é livre, sujeita à disponibilidade de lugares.
Acabemos com uma NOTÍCIA EM ATRASO não divulgada ontem.
Johann Sebastian Bach – Suite n.º 1 para Violoncelo Solo, BWV 1007
Paul Hindemith – Sonata para Violoncelo Solo, Op. 25/3
Johann Sebastian Bach – Suite n.º 2 para Violoncelo Solo, BWV 1008
O concerto será comentado por Alexandre Delgado e a entrada é livre embora sujeita a reserva através do e-mail relacoespublicas@elcorteingles.pt.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)


