Pentacórdio para Sexta-feira 8 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

 

 

1 festival rescaldo   Nesta Sexta-feira 8 de Fevereiro o acontecimento que destacaríamos é o começo da 6ª edição do “Festival RESCALDO” (aliás iniciado na véspera 7 –ver correcção abaixo) que decorre na Culturgest e na Trem Azul, comissariado por Travassos, com textos de Rui Dâmaso.

   Como é sabido, este Festival procura distinguir alguma da mais significativa produção nacional no panorama das músicas de vanguarda – nos mundos da eletrónica, da livre improvisação e das tangentes ao vasto espectro do rock e do jazz – assinalando as grandes referências do presente, contextualizando a influência dos seus mais importantes precursores e abrindo portas às visões de futuro.

   Ao celebrar alguns dos nomes e projectos merecedores de destaque, abre também espaço para projectar artistas aos quais reconhece capacidade para, num futuro próximo, alargar e enriquecer os horizontes da criação musical contemporânea em Portugal.

 

2 Diamond_gloss-w - Copy   Assim nesta Sexta 8, no Pequeno Auditório da Culturgest, a partir das 21h30, actua em primeiro lugar Diamond Gloss, nome artístico de Gonçalo Pereira, músico lisboeta que, vindo de principal compositor responsável pelo colectivo “How Comes the Constellations Shine”, agora actuando a solo incorpora novas influências na sua música. O seu álbum “Bears”, editado em 2012 pela norte-americana Fluttery Records, revela elementos mais próximos de uma certa corrente neoclássica (dizem os críticos), “privilegiando mais a contemplação estática que a solenidade sorumbática”.

   Segue-se-lhe, às 22h30, Filho da Mãe, recente nome de Rui Carvalho que, nesta rapidíssima evolução ascencional vindo dos “If Lucy Fell”, marca (segundo os seus apreciadores unânimes) a passagem a “um universo acústico assombroso de beleza e sensibilidade”, expresso no disco «Palácio», editado pela Rastilho, que de alguma forma “deixa passar um certo carácter de portugalidade, abstracta sim, mas reconhecível a um nível primordial: o das emoções”.

 

3 go suck a fuck   Na véspera, Quinta-feira 7 (NOTÍCIA EM ATRASO), na Trem Azul (Rua do Alecrim nº 21A) o arranque fizera-se (na realidade far-se-á) às 21h30 com Go Suck a Fuck (composto por Leio, teclados, guitarra, baixo, Pesto teclados, guitarra, baixo e Gajo de Go Suck teclados, baixo, chaos pad). É um dos produtos férteis da “explosão”, consumada em 2012, da Cafetra Records enquanto colectivo de músicos da máxima relevância e frescura no panorama nacional. O seu disco de estreia, “Para o seu marido”, mostra (para os especialistas) “uma faceta muito mais aberta (ou em aberto), plácida e dificilmente classificável … onde sobram guitarras dolentes, teclados em fraseados lúdicos e conversas extraídas de fontes múltiplas que se encontram em flirts breves”.

4 Albatre-590x397   Às 22h30, no mesmo Trem Azul, toca Albatre, um trio sediado em Roterdão e formado por dois jazzmen portugueses (Gonçalo Almeida  baixo e Hugo Costa  saxofone), aos quais se junta o percussionista Philipp Ernsting, que opera (dizem os conhecedores) “na intersecção entre as dinâmicas do free jazz e uma pulsão eminentemente rock, na sua vertente mais próxima do noise”.

   Mostramo-vos uma sua recente actuação (Abril de 2012), preparando a sua participação no Festival Rescaldo onde será gravado o seu primeiro álbum com a chancela da Shhpuma Records :

 

 

 

 

5 F1GRIP1

   Noutro ponto da cidade, nesta mesma Sexta-feira 8 de Fevereiro, mais exactamente no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, num espectáculo de nome “Grip 5” toca o colectivo Grip, composto aqui por Gonçalo Prazeres saxofones alto e barítono, Francisco Andrade saxofones tenor e soprano, Ricardo Barriga guitarra eléctrica, João Lencastre bateria e Ricardo A. Freitas baixo eléctrico, sendo este último o autor das  composições.

   Diz o folheto de apresentação que “… GRIP é um quarteto … com composições de Ricardo A. Freitas, entre a subtileza de linhas e uma prática colectiva mais directa e enérgica … estrutura mínima para a composição de motivos angulares, em contraponto, de encontro a uma certa energia do rock na liberdade da improvisação …”

   Um seu tema “Ágoráquia” gravado na sala de ensaios do Timbuktu em Março de 2012 soa assim :

 

 

 

 

6 Cartazg   Igualmente nos parece interessante, no campo teatral, é o acolhimento que o Teatro da Comuna  − enquanto se desloca ao Porto para apresentar “A Controvérsia de Valladolid” no TNSJ – dá nesta Sexta-feira 8 de Fevereiro, às 10h30, às 15h30 e às 21h30, ao Leirena Teatro para a apresentação de “Corre Mãe ! Corre !” com direcção e encenação colectiva de Frédéric da Cruz.

   É um espectáculo de carácter itinerante, baseado na Batalha de Aljubarrota, com forte influência dos nossos Cancioneiros populares e de poetas da nossa região de Leiria (sede da Companhia) como José Travassos Santos, Abraul Gandarense, António Meneses de Sá Pessoa e Acácio de Paiva.

7 IMG_0116   Sinopse :

   Em 1385 um clima de guerra instala-se sacudindo a normalidade do dia-a-dia. Uma menina que foge de casa na esperança de mudar o mundo, segue os irmãos que vão para a batalha, colocando a sua mãe numa louca procura.

   À medida que passa por várias gentes, vários lugares, esta Mulher muda a sua perspectiva em relação ao que a rodeia.

 

   O vídeo abaixo resume bem este “espectáculo simples, popular e de fácil leitura, que retrata o amor de uma mãe que tudo fará para garantir a segurança da sua família”.

 

 

 

   Regressando aos eventos melódicos, desperta inegavel interesse a vinda a Lisboa, ao Lux Frágil, às 23h desta Sexta-feira 8 de Fevereiro, do cantor e letrista norte-americano Mark Eitzel apresentar o seu último CD a que chamou “Don’t Be A Stranger”.

8 Mark-Eitzel   Será (dizem) um «álbum-milagre» que apenas existe porque um amigo de Eitzel ganhou a lotaria e se ofereceu para pagar os custos de estúdio. Escrito na ressaca de um ataque cardíaco e após o desmembrar definitivo da sua antiga banda “American Music Club” (tragicamente sublinhado pela morte do baterista Tim Mooney), “Don’t Be A Stranger” tem sido (justamente) aclamado na recta final de 2012 como o seu melhor álbum a solo desde “The Invisible Man” de 2001, ao mesmo tempo que no classicismo dos arranjos se aproxima como nunca do auge que foi “California” da sua antiga banda. (texto do programa do Lux)

   Este é o tema “I Love You but You Are Dead” do seu álbum “Don’t Be A Stranger” :

 

 

 

   No jazz o Hot Club de Portugal e durante 3 dias (de Quinta 7 a Sábado 9 de Fevereiro), às 23h, João Firmino, depois de lançar o seu primeiro álbum “A Bolha” em 2010, traz-nos agora  “A Casa da Árvore”. O novo disco, em trio com João Hasselberg no contrabaixo e Luís Candeias na bateria e com a participação especial de Rita Martins na voz, é composto por 9 temas originais do grupo.

    Neste concerto o trio faz-se acompanhar pelo saxofonista Desidério Lázaro, parceiro de longa data deste grupo.

   Um trailer preparado pela editora Sintoma Records explicando a génese do álbum pode ser visto aqui :  http://youtu.be/j_TnnwnaQYI

 

   Entretanto no Onda Jazz, às 22h30, volta a actuar o “The Mingus Project” com Diogo Duque trompete, Ricardo Toscano saxofone, Dan Hewson piano, Nelson Cascais contrabaixo e Vasco Furtado bateria (que o Pentacórdio diversas vezes noticiou).

 

 

 

   Ainda no campo musical, mas de acesso livre e formativo, dentro dos Pré-concertos que a Gulben Música organizou sobre “Grandes obras do repertório da temporada 12/13 da Orquestra Gulbenkian”, há, nesta Sexta-feira 8 de Fevereiro, às 18h, no Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, uma nova sessão de 45 min., comentada pelo seu orientador Pedro Moreira, onde o tema é a Sinfonia nº 1 em Dó menor de Johannes Brahms.

   Como habitualmente esta obra será apresentada, discutida e analisada evitando termos demasiado técnicos, mas sem receio de explorar os pilares da construção musical, com recurso a exemplos musicais ao piano ou em pequenos grupos, constituídos por jovens músicos.

   Objectivo : preparar uma audição informada para o concerto que se lhe segue às 19h pela Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro checo Jakub Hrusa, acompanhado ao piano por Piotr Anderszewski. 

   A entrada é livre, sujeita à disponibilidade de lugares.

 

 

 

 

   Acabemos com uma NOTÍCIA EM ATRASO não divulgada ontem.

9 Peter-Flanagan-682x1024   Na Quinta-feira 7 de Fevereiro (logo amanhã) no El Corte Inglês (piso 7), às 19h, decorre um concerto da série Solistas da Metropolitana onde o violoncelista Peter Flanagan irá tocar de :

       

      Johann Sebastian BachSuite n.º 1 para Violoncelo Solo, BWV 1007

      Paul HindemithSonata para Violoncelo Solo, Op. 25/3

      Johann Sebastian BachSuite n.º 2 para Violoncelo Solo, BWV 1008       

 

   O concerto será comentado por Alexandre Delgado e a entrada é livre embora sujeita a reserva através do e-mail relacoespublicas@elcorteingles.pt.

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

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