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POESIA AO AMANHECER – 148 – por Manuel Simões

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ANDRÉ FALCÃO DE RESENDE

( 1527 – 1599 )

“Ó FRÁGIL BEM, Ó BREVE GOSTO HUMANO”

Ó frágil bem, ó breve gosto humano,

ó débil formosura e transitória,

não posso eu já de vós deixar memória

sem que a deixe de minha culpa e dano.

 

Deixei ir a vontade d’ano em ano,

toda a vida traz vã e caduca glória,

e de meu mal compondo longa história,

vergonha publiquei e meu engano.

 

Mas quem com graves culpas me condena,

dir-lhe-ei muito não ser ter alguma culpa

quem teve toda a vida muita pena.

 

E se me não bastar esta desculpa,

dos olhos a água, e o escrever da pena,

que aliviar sói aos tristes, me desculpa.

Tema recorrente na poesia maneirista o da transitoriedade da existência, retomado, quase como estereótipo, da grande poesia de Quinhentos. Formalmente, o maneirismo cultiva o gosto pelo jogo de palavras e pela acumulação de conceitos.

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