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DIPLOMACIA PENINSULAR E OPERAÇÕES SECRETAS NA GUERRA COLONIAL, de María José Tiscar Santiago

Imagem1Anteontem, 19 de Março, foi lançado o livro Diplomacia Peninsular e Operações Secretas na Guerra Colonial de María José Tiscar Santiago. O lançamento realizou-se na Embaixada de Espanha, tendo o próprio embaixador de Espanha feito a apresentação da obra. Hoje, chegam-nos as intervenções produzidas no seminário, organizado pela Associação 25 de Abril e pela FMD, em Novembro de 2011 e realizado em Madrid, sobre “Memória militar e os valores constitucionais na península Ibérica”. Sem termos lido a obra de María José Tiscar Santiago, sem termos lido as intervenções dos militares participantes no seminário, apenas podemos saudar em ambas as iniciativas o desejo de abordar temas delicados e que conservam ainda o seu quê de traumáticos. Muitos dos protagonistas estão vivos e viva está a memória sobre os acontecimentos. Leiamos o que nos diz a informação de imprensa das Edições Colibri:

A diplomacia peninsular teve uma especial proximidade nos períodos bélicos que afectaram o Estado Novo e o Franquismo. Na Guerra Civil espanhola Portugal foi aliado indispensável para a vitória do Bando Nacional. Esse apoio manteve-se após a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial durante a chamada “questão espanhola”, o isolamento diplomático na sequência da condenação do Franquismo pela ONU. A partir da Guerra de Coreia, a situação começou a reverter pelas necessidades do bloco ocidental de contar com a Península Ibérica como uma unidade estratégica, o que levou a procurar uma integração indirecta de Espanha na NATO através da via portuguesa, produzindo-se depois o momento de maior confluência dos regimes ibéricos com o ingresso de ambos os estados na Assembleia Geral da ONU, em 1955. No decurso da Guerra Colonial e, em paralelo à “questão portuguesa” nas Nações Unidas, a diplomacia espanhola, ainda que a contragosto nalguns casos, saldou aquela dívida com um paciente trabalho obstrucionista às condenações de Portugal, a que se sumou um apoio discreto em terceiros países e uma cobertura total nos estados africanos onde Espanha tomou a seu cargo a representação dos interesses portugueses, quando se produziram cortes diplomáticos com Lisboa, no Egipto de Nasser, na Tunísia de Bourguiba e no Congo-Kinshasa de Mobutu.

María José Tíscar Santiago é doutorada em História. Tem exercido a docência em diversos Liceus de Espanha, Alemanha e França e no Instituto Espanhol de Lisboa. Iniciou a sua actividade de investigação trabalhando sobre as relações lusoespanholas durante o Marcelismo, e posteriormente, sobre o apoio da Espanha franquista ao Estado Novo durante a Guerra Colonial. Recentemente tem-se debruçado sobre as Actas do Conselho de Estado do período transitório 1974-1975, as quais vieram a revelar o papel dos diferentes protagonistas do processo histórico que conduziu à descolonização e que publicou no livro «O 25 de Abril e o Conselho de Estado. A Questão das Actas» (Edições Colibri, 2012).

Informações sobre a obra em: http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1721

 

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