NÃO PÁRA QUIETO! DIGA AO DR. PARA LHE RECEITAR “XYZ” por clara castilho
clara castilho
É verdade que há putos que nos dão cabo da cabeça. É verdade que, dentro da sala de aula, quando há 30 alunos e mais um, às vezes temos um “trinta-e-um”. É verdade que alguns querem parar e não conseguem. Também é verdade que alguns são é “mal educados”, não sabem o que são regras, não estão habituados a rotinas e só nestas áreas que é preciso intervir.
É verdade que, para algumas crianças, um medicamento, na altura certa e com conta, peso e medida, e por tempo limitado, pode ajudar a parar para poder ouvir e executar. Mas também é verdade que se perdeu um pouco quais os objectivos destas medidas. Já ouvi professoras dizerem aos pais para falarem com o “doutor” para que receite determinado medicamento e com determinada dose… Também já ouvi pais recusarem, questionando o que acontecerá na adolescência dos filhos, se se habituarem a este tipo de “bengalas”.
Lembro a B., medicada, e que, nos dias em que não tomava o seu comprimidos, os outros colegas notavam logo e o comentavam . B. que, com um pincel na mão, acabava por deixar coberto de tinta cabelos, roupa e tudo o que estivesse à sua volta, sem ter noção do que estava a acontecer. Mas também recordo M. Que nos pede contenção através de um abraço, e que acaba por conseguir sossegar.
Vem isto a propósito de um estudo feito no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) resultante de uma pesquisa, realizada entre 2009 e 2011, e que mostra que o consumo do metilfenidato, medicamento comercializado no Brasil com os nomes Ritalina e Concerta, aumentou 75% entre crianças e adolescentes na faixa dos 6 aos 16 anos. Este produto é usado para combater o PHDA – Perturbação da Hiperactividade e Déficit de Atenção. E chamam ao produto “a droga da obediência”. Consideram, mesmo que o uso abusivo do metilfenidato se pode tornar um problema de saúde pública no Brasil.
Dados indicam que o PHDA será um transtorno neurológico do comportamento que atingirá de 8 a 12% das crianças no mundo. No Brasil, os índices são bastante discordantes, alcançando até 26,8% . E quais são os sintomas para que se concluir tratar-se deste síndroma?
Dificuldade para prestar atenção; distrair-se facilmente ao fazer tarefas ou ao brincar; esquecer as coisas; mover-se constantemente ou ser incapaz de permanecer sentada; falar excessivamente; demonstrar incapacidade de brincar calada; atuar e falar sem pensar; ter dificuldade para esperar sua vez; interromper a conversa de terceiros; demonstrar inquietação, entre outros.
Questiona-se: estaremos a “medicalizar” a educação? Estaremos a ignorar a história pessoal de cada crianças?
Este é um assunto controverso. Quero ser justa, não sou especialista no assunto. Deixo o link de um documento, de alguém que tem estudado este problema com muita seriedade, fez doutoramento sobre o assunto, a Prfª Doutora Ana Rodrigues, da Faculdade de Motiidade Humana. ( http://pt.scribd.com/doc/11787791/HiperactividadeCADIN) .