por Rui Oliveira
Neste último Domingo de Abril, dia 28 pouco (ou nada) de interessante nos surge no panorama musical pelo que as nossas sugestões se transferem para as artes plásticas e, como recurso derradeiro, para sessões de cinema, teatro ou dança.
Comecemos pois por assinalar a abertura este mês de três novas exposições no CAM (Centro de Arte Moderna) que irão encerrar a 7 de Julho.
Tanto a vida como a obra do luso-alemão Emmerico Nunes foram fortemente marcadas pela sua condição de artista entre pátrias, o que se reflete nas duas artes que praticou com idêntico prazer: o desenho humorístico e a pintura. Os desenhos escolhidos para a exposição (tanto da década de 1910 como da seguinte) sublinham ainda a particularidade coerente dessa obra que se traduz na procura de um novo tipo de grafismo próprio, situado para além dos registos académico, naturalista e modernista.
Outra, “Razões Imprevistas – retrospectiva de Fernando Azevedo”, com curadoria de Leonor Nazaré, apresenta, numa primeira tentativa de revisão da vasta obra desta figura central do surrealismo português
Fernando de Azevedo (1922-2002) realizou apenas seis exposições individuais em vida, apesar de ter participado em inúmeras colectivas, mas foi agente e “embaixador” cultural importante, além de júri, consultor, director, designer gráfico, ilustrador, cenógrafo, arquitecto de exposições, crítico de arte, tendo ainda, ligado à Fundação Calouste Gulbenkian desde 1962, sido director do seu Serviço de Belas-Artes.
A terceira intitula-se “Galápagos”, arquipélago com um ecossistema em equilíbrio frágil, o qual foi o cenário escolhido pela Fundação Gulbenkian para promover uma residência de artistas, realizada ao longo de cinco anos, “em que a arte se cruzou com a ciência, o ambiente e a política” (diz o folheto dos seus curadores Bergit Arends e Greg Hilty).
A iniciativa, dinamizada em parceria com a Fundação para a Conservação das Galápagos, consistiu em convidar um conjunto de artistas a viver nas ilhas, durante um ou vários períodos, desafiando-os a abordar criativamente os conflitos existentes e a estabelecer pontes com as suas próprias realidades. Decorreu entre 2007 e 2011 e envolveu doze artistas: Jyll Bradley, Marcus Coates, Dorothy Cross (acompanhada de Fiona Shaw), Alexis Deacon, Jeremy Deller, Tania Covats, Kaffe Matthews, Semiconductor (Ruth Jarman e Joe Gerhardt) e Alison Turnbull. Paulo Catrica e Filipa César foram os portugueses escolhidos para participar neste programa.
As obras produzidas e agora expostas, entre desenhos, pinturas, filmes, instalações, esculturas e peças de som, apresentam uma sugestiva descoberta do arquipélago com as suas criaturas, vegetação, mares, população, edifícios e investigação científica.
Acrescenta ainda P. Gadanho que “… na história da arquitectura portuguesa em geral, e logo também na de interiores, há uma grande combinação de influências estrangeiras e a tentativa de adaptar a uma linguagem local e de elementos locais” e que “… esta exposição abre um campo diferente e novo de investigação, que foi abandonado pelos próprios arquitectos que se focaram mais no edifício, dado o surto de construção, e abandonaram um pouco o tratamento do interior, apesar de terem tido sempre essa ambição, tratar interior/exterior como um todo”.
A imagem da fadista envergando o seu tradicional xaile negro encontra-se cada vez mais longe da realidade actual do fado e esta exposição centra-se no universo musical e literário do Fado, olhando-o pela perspectiva da Moda e do importante contributo desta última para a criação da imagem das novas fadistas”.
A exibir no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, o filme (de que lhe mostramos abaixo o trailer) descreve “a amizade inesperada que nasce quando uma jovem Jane (Dree Hemingway) encontra algum dinheiro num objecto pessoal adquirido numa venda de garagem e entretanto conhece Sadie (Besedka Johnson), a viuva de 85 anos que lho deu inadvertidamente … Assim dois mundos completamente opostos se cruzam.”
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui)


