Pentacórdio para Domingo, 28 de Abril

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   Neste último Domingo de Abril, dia 28 pouco (ou nada) de interessante nos surge no panorama musical pelo que as nossas sugestões se transferem para as artes plásticas e, como recurso derradeiro, para sessões de cinema, teatro ou dança.

 

 

   Comecemos pois por assinalar a abertura este mês de três novas exposições no CAM (Centro de Arte Moderna) que irão encerrar a 7 de Julho.

 

1 emmerico-nunes_sem título, 1913

2 sem título, 1925   Uma, “A Obra perdida de Emmerico Nunes”, com curadoria de Isabel Lopes Cardoso, mostra um conjunto de 186 desenhos de Emmerico Hartwich Nunes (1888-1968) realizados para o jornal alemão Meggendorfer Blätter, provenientes de uma colecção que se julgava perdida na sequência da destruição da cidade de Munique durante a II Guerra Mundial e que abarca a melhor época da sua produção gráfica.

   Tanto a vida como a obra do luso-alemão Emmerico Nunes foram fortemente marcadas pela sua condição de artista entre pátrias, o que se reflete nas duas artes que praticou com idêntico prazer: o desenho humorístico e a pintura. Os desenhos escolhidos para a exposição (tanto da década de 1910 como da seguinte) sublinham ainda a particularidade coerente dessa obra que se traduz na procura de um novo tipo de grafismo próprio, situado para além dos registos académico, naturalista e modernista.

            3 sem título, sem data 14 sem título, sem data

 

 

5 FernandoAzevedoNI_DP1528_rect

   Outra, “Razões Imprevistas – retrospectiva de Fernando Azevedo”, com curadoria de Leonor Nazaré, apresenta, numa primeira tentativa de revisão da vasta obra desta figura central do surrealismo português5a phpThumb_generated_thumbnailjpg e um dos elementos do Grupo Surrealista de Lisboa, uma criteriosa selecção de pinturas, ocultações (páginas impressas ou desenhos ocultados parcialmente com tinta), colagens, desenhos, serigrafias, ilustrações, figurinos, estudos para cenários e trabalho gráfico e uma escultura.

   Fernando de Azevedo (1922-2002) realizou apenas seis exposições individuais em vida, apesar de ter participado em inúmeras colectivas, mas foi agente e “embaixador” cultural importante, além de júri, consultor, director, designer gráfico, ilustrador, cenógrafo, arquitecto de exposições, crítico de arte, tendo ainda, ligado à Fundação Calouste Gulbenkian desde 1962, sido director do seu Serviço de Belas-Artes.

            6 fernando azevedo cidade ou cidade - Lisboa, 1955-6           7 fernando azevedo, sem título 1961

 

 

8 galapagos world life 2011

   A terceira intitula-se “Galápagos”, arquipélago com um ecossistema em equilíbrio frágil, o qual foi o cenário escolhido pela Fundação Gulbenkian para promover uma residência de artistas, realizada ao longo de cinco anos, “em que a arte se cruzou com a ciência, o ambiente e a política” (diz o folheto dos seus curadores Bergit Arends e Greg Hilty).9 galapagos cow and tortoise

   A iniciativa, dinamizada em parceria com a Fundação para a Conservação das Galápagos, consistiu em convidar um conjunto de artistas a viver nas ilhas, durante um ou vários períodos, desafiando-os a abordar criativamente os conflitos existentes e a estabelecer pontes com as suas próprias realidades.  Decorreu entre 2007 e 2011 e envolveu doze artistas: Jyll Bradley, Marcus Coates, Dorothy Cross (acompanhada de Fiona Shaw), Alexis Deacon, Jeremy Deller, Tania Covats, Kaffe Matthews, Semiconductor (Ruth Jarman e Joe Gerhardt) e Alison Turnbull. Paulo Catrica e Filipa César foram os portugueses escolhidos para participar neste programa.

   As obras produzidas e agora expostas, entre desenhos, pinturas, filmes, instalações, esculturas e peças de som, apresentam uma sugestiva descoberta do arquipélago com as suas criaturas, vegetação, mares, população, edifícios e investigação científica.

        10 phpThumb_generated_thumbnailjpg 5          11 phpThumb_generated_thumbnailjpg 3

 

 

12 Cranach_DESTAQUE   Não queremos deixar de mencionar que encerram neste Domingo, quer a exposição no Museu Nacional de Arte Antiga intitulada “Obra Convidada : Lucas Cranach, o Velho – Judite com cabeça de Holofernes”, mostra de qualidade notável que já divulgáramos no Pentacórdio http://aviagemdosargonautas.net/2013/01/25/pentacordio-para-domingo-27-de-janeiro/ , quer duas exposições no MUDE –Museu do Design e da Moda.

 

13 100AnosPT_04   A primeira “INTERIORES – 100 anos de Arquitectura de Interiores em Portugal 1900-1999” teve como curador Pedro Gadanho, actual curador de arquitectura contemporânea no departamento de arquitectura e design do Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova Iorque,  que afirmou que a exposição “pretende chamar à atenção para a destruição de interiores que retiram a leitura integral do edifício” e acrescentou “… esta é uma política a que chamamos de ‘fachadismo’, pois destrói-se o miolo e mantêm-se as fachadas”. 

15 MUDE IMG_7342   A exposição, constituída por fotografias, reconstituições tridimensionais e de alguns elementos do espaço como mobiliário, está dividida em dez núcleos – um por cada década – e aborda todo o século XX, com o propósito de “mostrar como as tendências mudavam mais de depressa do que se supõe”, incluindo espaços projectados, entre outros, por Álvaro Siza Vieira, Alberto Caetano, António Pedro Portugal Mendonça & Manuel Maria Reis, Conceição Silva, Cristino da Silva, Cassiano Branco, Daciano Costa, Eduardo Afonso Dias, Egas José Vieira, Fernando Távora, Fernando Salvador e Margarida Grácio Nunes, Luís Bevilacqua, Marques da Silva, Manuel Graça Dias, Raul Lino, Tomás Taveira e Ventura Terra. 

   Acrescenta ainda P. Gadanho que “… na história da arquitectura portuguesa em geral, e logo também na de interiores, há uma grande combinação de influências estrangeiras e a tentativa de adaptar a uma linguagem local e de elementos locais” e que “… esta exposição abre um campo diferente e novo de investigação, que foi abandonado pelos próprios arquitectos que se focaram mais no edifício, dado o surto de construção, e abandonaram um pouco o tratamento do interior, apesar de terem tido sempre essa ambição, tratar interior/exterior como um todo”.

         Solmar, Lisboa 11 Dezembro 2012. ©Luisa Ferreira               16 MUDE T_blog_interiores_mude 

 

17 JAT EM COM ESTA VOZ ME VISTO   Outra ainda “Com esta Voz me visto – O Fado e a Moda” tem como objectivo “destacar a diversidade de estilos das diferentes fadistas e cantoras de fado, colocando em evidência as peças e os criadores que vestem, de modo a salientar a imagem de modernidade ou de tradição renovada que evocam e personificam.

   A imagem da fadista envergando o seu tradicional xaile negro encontra-se cada vez mais longe da realidade actual do fado e esta exposição centra-se no universo musical e literário do Fado, olhando-o pela perspectiva da Moda e do importante contributo desta última para a criação da imagem das novas fadistas”.

                18 Mude, com esta voz me visto_BMP            19 Mude_Fado-3

 

 

 

Indie_Lisboa13_logo   Fora esta oferta visual, resta aquela atinente ao último dia do “IndieLisboa’13” o qual, para lá da óbvia atribuição dos diversos prémios (“Grande Prémio Cidade de Lisboa para a melhor Longa Metragem” e “Prémio do Público para a melhor LM”), ainda exibe filmes como “Alla  Är Äldre Än Jag”  de Martin Widerberg (Suécia, 2012)(City Classic Alvalade, 16h45), o “Arriverderci Macau” de Rosa Coutinho Cabral (Portugal, 2013)(São Jorge sala 3, 16h30) ou ainda os últimos Indie Music, novidade deste ano, ou, por último, na secção Cinema Emergente, o premiado filme de Sean Baker (EUA, 2012) “Starlet”.

   A exibir no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, o filme (de que lhe mostramos abaixo o trailer) descreve “a amizade inesperada que nasce quando uma jovem Jane (Dree Hemingway) encontra algum dinheiro num objecto pessoal adquirido numa venda de garagem e entretanto conhece Sadie (Besedka Johnson), a viuva de 85 anos que lho deu inadvertidamente … Assim dois mundos completamente opostos se cruzam.”

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui)

 

 

 

 

 

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