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POESIA AO AMANHECER – 188 – por Manuel Simões

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AFONSO LOPES VIEIRA

(1878 – 1947)

“A flor do mar avançando”

A flor do mar avançando

navegava, navegava,

lá para onde se via

o vulto que ela buscava.

Era tão grande, tão grande

que a vista toda tapava.

E Bartolomeu erguido

aos marinheiros bradava

que ninguém tivesse medo

do gigante que ali estava.

E mais perto agora estão

do que procurando vão!

Bartolomeu que viu?

Que descobriu o valente?

– Que o gigante era um penedo

que tinha forma de gente?

Que era dantes o mar? Um quarto escuro

onde os meninos tinham medo de ir.

Agora o mar é livre e é seguro

e foi um português que o foi abrir.

(de “Obra Poética”)

Poeta tradicionalista, no sentido que recupera temas e formas da tradição poética portuguesa, a sua obra conheceu certa difusão pela simplicidade popular e pelo seu carácter de um nacionalismo conservador. Merece citação o volume “Onde a Terra se acaba e o Mar começa” (1940), que acabaria, porém, por ficar ligado ideologicamente à “exposição do mundo português” daquele ano. Outras colectâneas: “Canções do Vento e do Sol” (1911), “Ilhas de Bruma” (1917), “País Lilás, Desterro Azul” (1922).

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