POESIA AO AMANHECER – 190 – por Manuel Simões

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ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA

(1879 – 1960)

O PERFUME

O que sou eu? – O Perfume,

dizem os homens.- Serei.

Mas o que sou nem eu sei…

Sou uma sombra de lume!

Rasgo a aragem com um gume

de espada: Subi. Voei.

Onde passava, deixei

a essência que me resume.

Liberdade, eu me cativo:

Numa renda, um nada, eu vivo

vida de Sonho e Verdade!

Passam os dias, e em vão!

– Eu sou a Recordação;

sou mais, ainda: a Saudade.

Na esteira de Afonso Lopes Vieira, a sua obra contém traços evidentes de um “nacionalismo conservador”, patente sobretudo na sua lírica rural, que cultiva desde 1897. Pertence a esta fase o ciclo “A Minha Terra” (1915-1917). Em geral, a sua lírica revela um saudosismo nacionalista de raiz popular e distante da metafísica de Pascoaes, cultivando temas patrióticos: “Cantigas” (1902), “Aljubarrota ao luar” (1944) ou “Azinheira em flor” (1954).

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