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“UM LIVRO DEVE SER ALGO DE ORGÂNICO QUE TEMOS À NOSSA FRENTE COMO UM ALIMENTO”- GONÇALO M. TAVARES, CCB 9 DE MAIO por clara castilho

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José Saramago, no discurso de atribuição do Prémio com o seu nome atribuído a Jerusalém, disse: «Jerusalém é um grande livro, que pertence à grande literatura ocidental. Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!». Na passada quinta-feira, 9 de Maio, participou num debate no CCB – Clara Castilho esteve lá.

Situemo-nos. Centro Cultural de Belém, dia 9 de Maio, conversa “Camões e a aventura”, inserida no ciclo “A cantar e a contar”. Na mesa, Helena Vasconcelos, Aldina Duarte e Gonçalo M. Tavares. Apresenta-se tímido e espantado pelas numerosas pessoas presentes. Gosto do seu ar mas fico de pé atrás: “Será pose? Será sentido?”. Relembro uma situação de cerimónia institucional, na faculdade onde ele dá aulas (Faculdade de Motricidade Humana), em que, de forma discreta, conversava com colegas e alunos e lembro o que me contaram sobre a sua postura. Acabo por decidir que ele estará a ser sincero. E ir atrás das suas palavras foi fácil, porque fala mesmo para quem de literatura pouco sabe, porque fala do aqui e agora, porque nele sinto preocupações que são as nossas. E fico esperando que seja lido, que o poder das palavras seja de facto uma arma, que ilumine quem o leia, que ajude a destruir coisas que nos fazem mal.

Então, Gonçalo M. Tavares, com   mais de 30 obras publicadas, cerca de 230 traduções e com edição em quarenta e seis países, vê os seus livros serem inspiração, em vários países para teses académicas, óperas, curtas metragens, etc…

Ia referir os prémios, nacionais e internacionais que já recebeu, mas nunca mais acabam! Fico-me só pelo Portugal Telecom (Brasil, 2011) porque foi com a obra   “Uma Viagem à Índia”, que serviu de pretexto para a conversa de que vou falar.

No final da tarde dessa 5ª feira, indo das viagens de os “Lusíadas” até à obra que referi (escrito por alguém que nunca  foi à Índia, como frisou…), refere que há dois tipos de viagens – as que se fazem com os pés e as que se fazem com o pensamento. E nesta, a literatura é importantíssima, permite viagens sem os pés, permite que nos desloquemos milhares de quilómetros, através do que outros escreveram. Antigamente, os heróis eram os escolhidos pelas circunstâncias externas, alguns pela vontade dos deuses, e a isso não podiam fugir. Hoje, os heróis escolhem, eles próprios serem heróis. No seu livro, o herói é um herói “mesquinho”.

A diferença entre um livro e um programa de televisão é que o livro não é um “rio constante” independente da pessoa que assiste. Voltando aos Lusíadas, para o percebermos, temos que ler, reler, voltar atrás, pôr várias hipóteses quando ao significado…  O livro permite parar, baixar os olhos e pensar. E será nesse momento de “pensar” sobre qualquer coisa que se leu, que muitas ideias novas, muitos projectos novos surgiram!

Enfim, deixei só um cheirinho… Vamos ler os livros!

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