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MANUELINHO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Na passagem do Século XX para o Século XXI, que foi também a passagem do I para o II Milénio da nossa Era, dou comigo feito cicerone da cidade de Évora. Já não estranho a estranheza em que braceja a minha vida; sigo o meu destino mas não sei, ao certo, qual seja ele. Dos terraços da Sé aponto a um grupo de turistas o panorama caiado, essa alvorada que a cidade alentejana colocou entre muralhas. Ali está o Palácio do Vimioso, acolá o Palácio da Inquisição, além o Templo de Diana levantado pelos romanos, depois o Palácio dos Condes de Soure, a Casa Cadaval com a Torre das Cinco Quintas, a Igreja dos Lóios, a Biblioteca Pública, a Torre de Sertório e o solar dos Condes de Portalegre… Estão a ver? 

Um dos turistas, chamado Fernando, quer saber qual o meu nome. Respondo-lhe:

– Manuelinho!

Desata a rir, pergunta:

– Homenagem ao vosso patriota maluquinho do Século XVII?

– Compadre Fernando, não é homenagem, eu é que sou esse tal maluquinho que os espanhóis dizem ter executado em 1638.

– Ai sim? Muito me conta… Passa o tempo, já lá vão quatrocentos anos, e o amigo Manuelinho está na mesma, muito vivo e muito rijo!  É espantoso!

– Vossemecê não se espante… Se até hoje a loucura dura, eu, que sou louco, perduro…

Galhofa.

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