Um Café na Internet
Na Antiguidade Clássica, Cláudio Ptolomeu foi o mais famoso dos cosmógrafos. Na Astronomia colocou a Terra no centro do Universo. Na Geografia prolongou a Ásia e a África até à Terra Austral, convertendo o Índico em mar interior. Durante 14 séculos ninguém contestou o seu sistema.
Mas no século XV d.C., ali na proa da Europa, D. João II, El-Rei de Portugal, atreve-se a duvidar da geografia de Ptolomeu. Em 1486 Diogo Cão, navegador que anteriormente descobrira a foz do Zaire, anunciara a El-Rei que certamente haveria passagem do Atlântico para o Índico porque, dos 18 aos 22 graus de latitude Sul, a costa africana inflectia para sueste e mais para a frente, até onde alcançava a vista, continuava a correr no mesmo sentido.
Em 1487 o monarca resolve tirar a limpo algumas das suas dúvidas. Manda que, por terra, Pero da Covilhã e Afonso de Paiva marchem para Oriente e saibam novas quer do Prestes João, quer da navegabilidade do Índico. Manda também que Bartolomeu Dias, navegador e seu escudeiro, verifique se a África está, ou não, ligada à Terra Austral. Ou seja: se por mar é, ou não, possível contornar a África para alcançar a Índia.

