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DIA INTERNACIONAL DAS CRIANÇAS DESAPARECIDAS por clara castilho

O Dia Internacional das Crianças Desaparecidas é assinalado anualmente no dia 25 de Maio. Na Europa, a Missing Children Europe utiliza a flor do miosótis como símbolo. Congrega actualmente 28 ONG de 19 estados-membros. Em Portugal, é o Instituto de Apoio à Criança a instituição que a integra, desde a sua criação, em 2001.

Ao IAC através da linha europeia 116 000, cabe a recolha de todos os contributos da sociedade civil e fazer chegar as denúncias aos órgãos de polícia criminal competentes e  apoiar psicossocialmente as vítimas e suas famílias. Este número é comum em todos os países da Europa e está presentemente operacional em 22 estados membros.

 Em Portugal esta linha, em 2012 recebeu 53 novos casos de crianças desaparecidas, que incidem sobretudo nos raptos parentais (32 casos) e situações de fuga (16 casos). Dados da Comissão Europeia revelam que o tráfico interno está em ascensão e mostram que 15 % das vítimas de tráfico registados pelos Estados Membros entre 2008 e 2010 eram crianças.

Só no último mês vimos diversas notícias de situações destas:  desaparecimento de dois irmãos na Holanda, que foram levados pelo pai, que se terá suicidado, tendo mais tarde aparecido mortos. Em Cleveland, foram restituídas à liberdade três jovens mulheres e uma criança, nascida em cativeiro, raptadas há dez anos.

Vítimas destas situações que delas conseguem fugir relatam horrores. Lembro Michelle Knight – engravidou cinco vezes, sendo depois espancada até abortar. Lembro Sabine Dardenne – uma das sobreviventes do pedófilo e homicida Marc Dutroux, que a raptou aos doze anos e que relata em livro o seu sofrimento. Lembro Jaycee Dugard – que viveu encarcerada durante dezoito anos, também escreveu recentemente um livro a que deu o nome de “Uma vida roubada”. Lembro Nathalie Schweighoffer – que pôs em livro as violações perpetradas por seu pai. Lembro Natasha Kampush. Lembro Rui Pedro em Portugal. Lembro Madeleine McCann. E lembro Ethan Patz, o menino que desapareceu em Manhattan em 1979, em 25 de Maio, dia cujo desaparecimento foi o escolhido para lembrar todas estas crianças.

Estas e aquelas que desconhecemos, nestes países onde até há notificações do seu desaparecimento. E as outras, as de outros continentes e de outros países onde a sua ausência nem é notada, onde ninguém vai à sua procura, onde não sentem solidariedade nem simpatia. Quem fala por elas?

 

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