Segundo o ministro da educação, este governo irá legislar no sentido de que os cursos dos Politécnicos passem a ter uma duração de dois anos. Não nos parece que esta mudança vá trazer grandes mudanças nos sistemas de Ensino, nem isso parece ser o cerne da questão. Essa transformação parece ter mais a ver com o aproveitamento dos estabelecimentos existentes.
Numa altura em que estão a aparecer cada vez mais cursos transmitidos via satélite para centenas de milhares de alunos que podem utilizar as suas casas, ou até os locais de trabalho como salas de aula. Em que está latente uma revolução nos sistemas educativos e na maneira de transmitir o ensino, parece existir vontade de fazer a reedição dos antigos cursos industrias e comerciais.
Em boa verdade esses cursos transmitiam conhecimentos que podiam ser transpostos para o mundo laboral e contribuíam para uma mais rápida adaptação, daqueles que os frequentavam aos postos de trabalho e eram geradores de mais empregos do que o são as Universidades e os Politécnicos.
Mas a situação alterou-se. Ainda que as necessidades da sociedade fossem as mesmas, os conhecimentos que os professores dos Politécnicos evidenciam, não estão na maior parte dos casos em sintonia com as práticas que o trabalho reclama.
Assim e independentemente da mudança, continuar-se-á a insistir numa qualificação intelectual abstrata, e a fabricar diplomados, fechados na aquisição dessa abstração. Não espantará por isso que a maioria dos diplomados continuem a não saber nada de concreto. Como hão-de saber senão foram treinados para isso?
Estas soluções fazem com o que os jovens se sintam prisioneiros e tratados como objetos e que os professores fiquem à deriva ao terem que ministrar matérias diferentes das que habitualmente ensinam.
Está-se assim numa encruzilhada difícil para professores e alunos, sem que se vislumbrem mais valias.
Verdade se diga que há licenciaturas que não têm alunos e outras que têm tão poucos que não são rentáveis.
Mas será razoável fazer reformas cuja principal razão de ser seja o aproveitamento de infraestruturas? Evidentemente que não.

