DE QUE LADO ESTÃO OS FORMADORES E PROFESSORES? – por António Mão de Ferro

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A educação tem sido e continuará a ser constantemente questionada.

A ideia de que a educação poderá ser a “redentora da humanidade” foi sendo substituída por uma quantidade de argumentos de que referimos:

Os que dizem que a educação valoriza, instrui e cultiva o espírito para uma melhor inserção na sociedade;

– Os que referem que significa a transmissão de valores de uma sociedade para outra;

– Os que dizem que é um instrumento de manipulação,

– Os que são de opinião de que não passa de um aparelho reprodutor da sociedade e da elite dominante que através dela difunde as ideias politicas de uma determinada classe;

– Os que aconselham mesmo a descolarização da sociedade e deixam a educação ao livre arbítrio de cada um.

E ficamo-nos por aqui em termos de uns e outros. Como é natural as propostas de mudança e de redefinição e reformulação da educação aparecem com uma certa insistência.

Quando se procura definir o perfil e as competências dos docentes, pois eles têm, a par dos alunos e dos formandos, uma importância fundamental nos resultados da educação, também há dificuldade na obtenção do consenso. E levantam-se questões, como por exemplo se o agente de ensino deve ser “transparente” ou usar “máscaras”. Se a sua atuação deve ser clara ou cheia de intenções, deve mostrar força ou fraqueza, segurança ou incerteza.

Deixando o docente por um bocadito e voltando à educação propriamente dita, tanto os que querem que ela vá por um determinado caminho, como os que querem que ela não vá por aí, parecem não divergir muito quanto ao que deve ser a sua finalidade: a necessidade de contribuir para a evolução e para a mudança.

Uns e outros parecem não se opor na utilização de métodos e processos que assegurem aos participantes uma adaptação ao presente que seja ao mesmo tempo válida para o futuro e que, apesar da sua incerteza, contribua para a formação de pessoas capazes de reagir positivamente aos contratempos da vida moderna, consciencializando-os dos seus deveres e direitos.

Voltando novamente aos docentes, constatamos que em relação a métodos de ensino, a sua divergência não é grande, pois tanto os que defendem ideias mais conservadoras como os que defendem ideias mais progressistas, utilizam os que lhe fazem correr menos riscos mesmo que isso enfraqueça ou diminua o espaço de intervenção dos que aprendem pois a sua preocupação passa muitas vezes pelo não enfraquecimento do seu controlo.

Será que os professores e formadores são progressistas na teoria e conservadores na prática? Dão eles um forte contributo para a manutenção dos sistemas educativos opondo-se à mudança, ou protestam para ela acontecer e empenham-se nesse combate?

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