À hora da saída deste editorial ainda não se sabe qual vai ser o desenlace da má telenovela que tem sido o braço de ferro entre o CDS e o PSD, nestes últimos dias. É evidente que a saída de Vítor Gaspar terá funcionado como pretexto para Paulo Portas lançar uma ofensiva no sentido de reforçar a sua posição e a do seu partido no governo. Esta ofensiva vem dar expressão a tensões anteriormente existentes, tensões estas claramente expressas na carta de demissão do ex-ministro das finanças. Mas a ofensiva corresponde sobretudo às ambições de Paulo Portas, que aliás no CDS está muito bem acompanhado.
Cavaco Silva, muito a contragosto, vai ter de dar a última palavra. Não quer eleições em Portugal, tal como a troika e Angela Merkel. Vai ter de tomar uma decisão, para as impedir. E apostamos em como vai aceitar o Governo Passos/Portas recauchutado. Claro que há questões em aberto: quem será o Ministro dos Negócios Estrangeiros, é uma delas.
Entretanto, muito barulho, e o essencial continua de fora. Como vai ser a política daqui em diante? Vai continuar a austeridade pura e dura, para usar a terminologia que tem sido usada? Sobre isto nem uma palavra. Dirão, que remédio, com a troika às costas. Não podem fazer outra coisa, que não continuar na mesma. Pois o problema é esse: então para quê este golpe palaciano? Para Portas e o CDS se reforçarem? É óbvio que sim.
A direita defende por todo o lado a política de austeridade, hoje em dia. É-lhe mais fácil alcançar um acordo em termo de ideias, entre as suas facções, do que a esquerda. Para resumir, onde se divide é nas lutas de personalidades e de lóbis, de grupos rivais e de candidatos à riqueza e ao poder. As diferenças ideológicas não lhe interessam, a não ser que as possa instrumentalizar. É isso que temos à nossa frente, neste domingo, 7 de Julho.


