EDITORIAL – OPORTUNISMO OU SENTIDO DA OPORTUNIDADE?

Imagem2A irrevogabilidade,  que Paulo Portas afirmou existir relativamente à sua decisão de abandonar o executivo, parece ser afinal negociável e, embora  o encontro da noite passada entre o líder do CDS-PP e o primeiro-ministro, não tenha conduzido a  um acordo foi, segundo fonte oficial «muito construtiva». A reunião prossegue esta manhã com o objectivo de alcançar um entendimento que permita manter a coligação governamental. Ou seja, Paulo Portas aproveita a circunstância de tudo depender da sua decisão, para aumentar o poder do CDS-PP. Oportunismo? Sentido da oportunidade? É uma questão de perspectiva. A classificação que se queira dar à manobra de Portas cobre um leque de adjectivação que vai de “chantagem” a “sagacidade estratégica”.

Manobra que parece ter causado algum descontentamento no seio do próprio CDS-PP,  com personalidades emergentes a fazerem jogadas dentro da jogada  e procurando ter ganhos com a atitude do líder que parece ter agido por conta própria, mandando a democraticidade partidária às urtigas. Ou seja, um pequeno partido, um partido que o eleitorado tem reiteradamente demonstrado não querer na ribalta, assume de repente um protagonismo desproporcionado.

Todos sabemos que Paulo Portas é um homem inteligente, coisa de que o primeiro-ministro não pode ser acusado. Porém,  os homens inteligentes caem muitas vezes na armadilha que montaram e,umaal como os menos dotados, têm tendência para, no meio de algumas árvores, se julgarem mergulhados no seio da floresta amazónica. Portas sabe que este governo é inviável e apercebe-se de que, em próximas eleições, os partidos da coligação serão duramente penalizados. A não ser que… e aqui entram as suas exigências: uma descida dos impostos já no Orçamento do Estado de 2014, uma imediata remodelação orgânica do governo e a nomeação de um ministro de Estado do seu partido. De acordo com a imprensa desta manhã, estas são as condições que coloca para manter a coligação,

Passos Coelho deu, no seu patético discurso de terça-feira, a medida da sua incapacidade e ausência de estratégia. Procurou escamotear o seu desnorte com uma pose emprestada pelo pessoano piloto que, ante o mostrengo (em cuja composição a troika, a herança de Sócrates,  CGTP, o destino, a oposição, se misturam), afirma estar atado ao leme pela força do dever e do amor ao seu povo. Uma rábula lamentável.

Portas é um homem inteligente. Mas, apesar disso, não percebeu que não há remodelações orgânicas que salvem este executivo.

Leave a Reply