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CARIBOCAS – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Sim, Padre, sou o João Ramalho e confesso que mulheres tive e tenho muitas, pois todos os caciques queriam e querem ser meus parentes. Mas a esposa principal é Potira. Respeitada pelas demais, na minha maloca a sua rede fica sempre armada junto à minha. De Potira e das outras tenho muitos filhos e filhas. Os meus meninos mestiços… Ou caribocas, como dizem os índios; ou mamelucos, como dizem os portugueses; mas esta é palavra árabe que perdeu o rumo, porque significa pajem, escravo ou criado e os meus filhos nunca foram nem meus pajens, nem meus escravos, nem meus criados, embora outros caribocas, que não os meus, tenham sido tudo isso para outrem que não eu. Os meus caribocas andam por aí desde as praias de S. Vicente, Bertioga e Itanhaen até aos campos de Piratininga, a dar-me força e prestígio pois casaram e tiveram filhos e netos que, por sua vez, também se casaram, e por isso me tornaram parente de quase todos os tupiniquins. De mim alguém disse (e não mentiu) que, se necessário, num só dia eu poderia reunir à minha volta 50 mil homens. E reuni, não foram precisos tantos mas uma vez eu reuni largos milhares e por isso o Padre Manuel da Nóbrega, em São Paulo de Piratininga, até ficou muito agradecido. O caso aconteceu lá pelos idos de 1562, depois eu conto.

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