Formulação da pergunta e tradução da resposta por Peter Whal
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À pergunta formulada
Eis pois a questão que levanto aqui e agora, uma vez que Portugal se recusa viver em autarcia como um país pequeno que somos, uma vez que a saída da zona euro unilateral é também ela inaceitável, uma vez que a saída apoiada pela UE é , por seu lado, impraticável, tendo em conta este conjunto a ignorância, a ganância e a maldade destes que nos governam, seja a nível regional seja a nível nacional, então o que fazer para não se morrer, mesmo que lentamente (!) com estas políticas que estão e estão mesmo para durar e talvez mais de dez anos, de acordo com as declarações de Jens Weidmann ao Wall Street Journal
aqui apresentamos a resposta de Peter Whal. Peter Whal é presidente de WEED – Weltwirtschaft, Ökologie & Entwicklung, Berlim. |
Caro Júlio
Não é possível sair da crise sem custos e sacrifícios para Portugal, qualquer que seja a via como se sai da crise.
Permanecer no euro no quadro das condições em vigor fará recuar a economia e o país e bem mesmo para mais de uma década
Sair unilateralmente vai custar muito caro com riscos incalculáveis.
É extremamente difícil saber quando o ponto limite é alcançado, onde os custos de permanência são mais elevados que os de sair.
A posição do governo alemão e dos seus aliados na Troika não mudará enquanto não há nenhuma forte pressão sobre eles.
É necessário, portanto, procurar um ponto de ruptura na situação imutável em que nos encontramos. Uma alavanca para esse efeito seria, na minha opinião, organizar uma frente comum dos países em crise – se possível com a França – e ameaçar com uma saída comum do Euro. Se Berlim nunca ceder – é então necessário criar uma União monetária do Mediterrâneo. Isso também não seria fácil, mas politicamente abriria pelo menos uma margem de manobra.
A crise ilustra muitíssimo bem que a União Europeia funciona de acordo com a lei do mais forte.
Para já, o anúncio de uma tal estratégia poderá, pois, perturbar as relações de força.
É certo que será necessário libertarmo-nos desta crença auto-imposta, segundo a qual tudo o que é União Europeia é bom em si mesmo.
Pode-se ser feliz sem o Euro.
Sair do euro não significa automaticamente sair da União Europeia . Isso não é uma questão jurídica. Se se tem a sua própria moeda continua-se como os britânicos e outros países que não estão no Euro a funcionar no mercado comum e nas instituições da União Europeia. Ninguém tem os meios para expulsar seja quem for. E existem parceiros possíveis, o Brasil por exemplo, para uma zona transatlântica de livre comércio. Culturalmente, o Brasil não está mais longe do que a Hungria ou a Finlândia. E talvez outros.
Uma nota sobre as vantagens comparativas do Portugal: o sol não é apenas bom para o turismo. A energia solar e a eólica (de que existe muita à beira do Atlântico) é uma enorme riqueza. Porque é que se pensa que só os Kouweits, os Quatars, etc, que são pequenos países, se poderiam tornar ricos porque eles têm energia em abundância?
Amigavelmente
xxxxxx
Texto enviado em francês
VON/FROM: Peter Wahl
Cher Julio,
il n’y a pas d’issue de la crise sans peines et sacrifices pour le Portugal, quelque soit la proposition.
Rester dans l’euro sous les conditions données va faire reculer l’économie et le pays par une décennie au moins
Sortir unilatéralement va être très cher avec des risques incalculables.
Il est extrèmement difficile de juger quand le point est atteint, où le frais de rester sont plus hauts que de rester.
La position du gouvernement allemand et de ses alliés dans la Troika ne changera pas tant qu’il n’y pas de pression forte sur eux.
Il faut donc chercher un point de rupture dans la situation figée. Un levier à mon avis serait d’organiser un front commun des pays en crise – si possible avec la France – et de menacer avec une sortie commune de l’Euro. Si Berlin ne cède toujours pas – il faut créer une Union monétaire Méditeranéenne. Ce ne serait pas facile non plus, mais il ouvrera au moins une marge de manoeuvre politique.
La crise montre bien, que dans la crise l’UE fonctionne d’après le droit du plus fort.
Déjà l’annonce d’une telle stratégie pourra donc bousculer les rapports de force.
Bien-sur il faudra se libérer de cette croyance auto-imposée, selon laquelle tout ce qui est UE est bon en soi.
On peut être Européen et heureux sans l’Euro.
Sortir de l’euro ne signifiera pas automatiquement quitter l’UE. Ce n’est pas une question légale. Si on fait sa propre monnaie on continue comme les Britanniques et les autre pays qui ne sont pas dans l’Euro à fonctionner dans le marché commun et dans les institutions de l’UE. Personne a les moyens de jeter quelqu’un dehors. Et il y a des partenaires possibles, le Brésil par exemple, pour une zone de libre échange transatlantique. Culturellement le Brésil n’est pas plus loin que l’Hongrie ou la Finlande. Et peut-être d’autres.
Une remarque sur les avantages comparatifs du Portugal: le soleil ce n’est non seulement pour le tourisme. L’énergie solaire et du vent (don il y aussi beaucoup au bord de l’Atlantique) c’est une richesse énorme. Pourquoi pense-t-on que seuls les Kuwaits, Katars etc. qui sont de petits pays, pourraient devenir riches parce qu’ils ont de l’énergie en abondance?
Amicalement
Peter Wahl
WEED – Weltwirtschaft, Ökologie & Entwicklung
Eldenaer Str. 60, 10247 Berlin
