O argonauta Júlio Marques Mota responde à pergunta que ele próprio formulou
À pergunta formulada
Eis pois a questão que levanto aqui e agora, uma vez que Portugal se recusa viver em autarcia como um país pequeno que é, uma vez que a saída da zona euro unilateral é também ela inaceitável, uma vez que a saída apoiada pela UE é , por seu lado, impraticável, e tendo ainda em conta o conjunto, caracterizado pela ignorância, ganância e maldade, destes que nos governam, seja a nível regional seja a nível nacional, então o que fazer para não se morrer, mesmo que lentamente (!) com estas políticas que estão e estão mesmo para durar e talvez mais de dez anos, de acordo com as declarações de Jens Weidmann ao Wall Street Journal
eis a minha resposta
A minha resposta à pergunta feita no blog sobre o permanecer ou sair do euro
PARTE III
(continuação)
…
Passemos agora a análise da balança corrente da Inglaterra sabendo que entre 2007 e 2013 a libra desvalorizou-se face ao euro de 25%.
Gráfico X: Taxa de câmbio-euros por unidade libra
Dito de uma outra forma, a Inglaterra mantém como instrumento a taxa de câmbio, a política cambial, vantagem esta de que não dispõe nenhum país da periferia da Europa. A questão é tanto mais importante quanto a defesa da saída do euro teria como uma das razões-chave a arma da política cambial, ou seja, da desvalorização. Pois bem, a Inglaterra dispõe desta arma o que não chega para se conseguir sair da crise.
O que nos diz a balança corrente? Em 2010, a Inglaterra apresentava um défice de 2,5% do PIB; Portugal, na mesma altura, tinha um défice igual a 9,7% do PIB.
Gráfico XI: Balança corrente de vários países
Gráfico XII: Balança corrente do Reino Unido-decomposição
Gráfico XIII: Balança corrente – decomposição dos bens por sectores
O gráfico mencionado permite-nos visualizar que o Reino Unido (UK) teve um défice de £12,56 milhares de bens da indústria transformadora no 2.º trimestre de 2012. O UK é também um importador líquido de petróleo e de bens alimentares.
Gráfico XIV: Balança corrente – decomposição dos serviços por sector
Este défice em produtos é parcialmente compensado pelo excedente na balança de serviços (especialmente seguros e finança — a City, pois claro — mas isto não é suficiente para compensar o défice comercial. Num pequeno país da periferia europeia dispõe desta característica e esta, na Inglaterra, vale cerca de 15% do PIB!
(continua)
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Para ler a parte II, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/16/saida-do-euro-a-minha-resposta-por-julio-marques-mota-2/
