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POESIA AO AMANHECER – 272 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

VASCO GRAÇA MOURA

( 1942 )

O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL

ao Luis Macara

Nós que sofremos de mazelas crónicas

tão ocas como um stradivarius

e da apatia febril das mnemónicas

circenses de requintes culinários

gostamos de basófias filarmónicas

de pompas fúnebres do ar dos funcionários

públicos e suportamos as mazelas crónicas

fazendo delas autênticos ovários

de onde irrompem embriões e fetos

discursos e chavelhos e essa melancolia

que os avós nos deixaram e vai prós nosos netos

apendicites honras truques burocracia

um trato ameno um trote quase certo

e tretas vigaristas qualquer dia

(de “Antologia da Poesia Portuguesa. 1940-1977”)

Poeta, ensaísta, romancista e tradutor de textos poéticos de referência mundial (Dante, Petrarca, Shakespeare, Rilke). Dirigiu a colecção de poesia “Oiro do Dia”. Da sua obra poética assinalam-se: “Modo Mudando” (1963), “Quatro Sextinas” (1973), “Recitativos” (1977), “Instrumentos para a Melancolia” (1980), “Nó Cego, o Regresso” (1982), “A Furiosa Paixão pelo Tangível” (1987), “Poemas com Pessoas” (1997).

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