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REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930.

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A  Europa  em   1931  e agora, também

James Hamilton , Janeiro de  2012

PARTE II
(conclusão)

A atenção, em seguida, centrou-se nos Estados Unidos. No primeiro semestre do ano, os EUA, como a Grã-Bretanha, tinha estado sujeitos a afluxos de ouro, apesar de uma menor taxa de desconto. Mas depois de a Grã-Bretanha ter desvalorizado em relação ao ouro, os EUA tiveram então rapidamente uma enorme saída de ouro tanto quanto as pessoas se interrogavam se os Estados Unidos seriam ou não o próximo país a abandonar o padrão ouro, a suspender a convertibilidade do dólar em ouro. Os Estados Unidos tinham começado com uma enorme reserva de ouro e com um forte aumento das taxas de juro foi  capaz de travar as saídas de ouro . Mas é claro uma acentuada caminhada sobre as taxas de juros naquela fase do ciclo provou ser desastrosa por qualquer critério que a situação seja analisada, excepto no que possa dizer respeito à permanência no padrão-ouro.

Painel superior: as reservas de ouro do Federal Reserve, em milhões de dólares americanos, da semana de 7 de Janeiro a 30 de Dezembro de 1931. Fonte de dados: Banking and Monetary Statistics, p. 386.
Painel inferior: a taxa de desconto do Federal Reserve Bank de Nova York, em percentagem, da semana de l 7 de Janeiro a 30 de Dezembro de 1931. Fonte de dados: Banking and Monetary Statistics, p. 441. Figura reproduzida em Hamilton (2012).

Em 1931, os países enfrentaram dúvidas sobre se devem permanecer ou se devem sair do padrão-ouro e têm como escolha ou abandonar o padrão-ouro ou então infligir mais danos económicos a nível interno e isto na forma de contracção monetária e da deflação dos preços. Estas dúvidas e os efeitos negativos da situação acabaram por se difundir entre os outros países como uma espécie de bola de ping-pong.

Em 2012, os países enfrentam dúvidas sobre se devem ou não permanecer na União Monetária Europeia e ter a escolha entre a opção de abandonar (ou ser forçado a abandonar) o euro ou uma outra coisa que é continuar a infligir mais danos económicos a nível interno sob a forma de mais contracção orçamental . Nós estamos a assistir a esses temores e as suas consequências hoje espalham-se de país para país, em tempo real.

No entanto, há uma grande diferença entre os dois períodos e esta é o facto de que em 1931 a preferência pelo metal amarelo relativamente a  ter o dinheiro em depósitos não dava origem a que se criasse mais metal amarelo. O resultado, em vez disso, foi o de que o preço do ouro em relação aos preços dos bens produzidos subiu, subiu, ou seja, esta subida do preço relativo do ouro significaria que todo e qualquer país que permanecesse no padrão-ouro era forçado à deflação dos preços dos bens produzidos. Por outro lado, na situação actual, uma preferência pelos depósitos em  euros na Alemanha sobre a aquisição de títulos da dívida pública dos países periféricos pode ser considerada infinitamente elástica pela política acomodatícia conduzida pelo BCE, como se ilustra no gráfico abaixo.

Da Europa de 31 à de 2013. Duas imagens:

Legenda. Na Alemanha em 1931- A fotografia acima mostra um desempregado em 1931 com os  seus parcos haveres no saco ao lado, sentado nos degraus de entrada numa empresa comercial de Berlim.
Legenda. A fotografia acima, de Outubro de 1931, mostra uma organização de caridade a recolher donativos em Berlim para os desempregados e para as  doações em Berlim para os desempregados e  a guerra desativado
Legenda: Na Europa actual.
Legenda : Milhões de europeus vivem mergulhados na pobreza devido à crise económica. Estes dependem cada vez mais da ajuda humanitária. A Federação Internacional da Cruz Vermelha lançou em Genebra um grito de alarme. Repare-se bem nas pessoas que estão a pedir esmola e percebemos então muito a profundidade da crise actual apenas por esta foto.
Legenda. Está no  texto apresentado.
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