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Pentacórdio a partir de Sexta 13 de Setembro

por Rui Oliveira

 

 

                                         

    Na Sexta-feira, 13 Setembro, o Teatro Nacional de São Carlos abre a temporada com um Concerto coral-sinfónico na sua Sala Principal, às 21h, dedicado a Francis Poulenc (1899-1963), assinalando os cinquenta anos da sua morte, em que se apresentam o coro, a orquestra e três solistas.

   Este concerto (anunciam) «aflora as várias facetas do legado do compositor francês: Les Biches, o bailado com coro, aqui em versão de concerto, mostra o Poulenc irreverente dos anos 1930; o Concerto em Ré Menor, para dois pianos e orquestra, a vertente concertística dos anos 1950; Gloria, para soprano, coro e orquestra, revela o seu lado místico, tão característico dos finais dos anos 1950 e inícios dos anos 1960».

   A Orquestra Sinfónica Portuguesa terá a direcção musical de Pedro Neves e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos a orientação do maestro titular Giovanni Andreoli.

   Como solistas actuam os pianistas Paulo Oliveira (à esq.) e Daniel Cunha (à dir.), ambos alunos de Sequeira Costa na Universidade do Kansas (EUA) e várias vezes premiados, e ainda Sara Braga Simões, «soprano de extensão impressionante (seg. Opera Now)», actual orientada de Elizabete Matos e anterior aluna de Susan McCulloch (Londres), que já editou em disco (com o pianista Luís Pipa) a integral da obra para Canto e Piano de Eurico Thomaz de Lima.

   O programa, em pormenor, consta assim destas obras de Poulenc :

      “Les Biches”, versão de concerto do bailado com coro, FP 36

           I. Ouverture, II. Rondeau, III. Chanson dansée, IV. Adagietto, V. Jeu,

           VI. Rag-Mazurka, VII. Andantino, VIII. Petite chanson dansée, IX. Finale

      Concerto para Dois Pianos em Ré Menor, FP 61

            I. Allegro ma non troppo,  II. Larghetto,  III. Finale

      “Gloria”, para soprano, coro e orquestra, FP 177

            I. Gloria, II. Laudamus te, III. Domine Deus, Rex caelestis,

            IV. Domine Fili unigenite, V. Domine Deus, Agnus Dei,

            VI. Qui sedes ad dexteram Patris

 

   Assinalamos a abertura da temporada com três vídeos. No primeiro, aprecie-se a qualidade da gravação ao vivo, já em Maio de 2013, por Sara Braga Simões (com João Queirós no piano) da ária de Bellini Qui la voce sua soave… vien diletto (de I Puritani) :

   Quanto ao Concerto para Dois Pianos e Orquestra o melhor registo ouvido é o da Orquestra Filarmónica de Jalisco em 2009 com os pianistas Antonio Manzo e Alfredo Arjona :

   A rematar (como brinde) ouça-se o solo de Barbara Hendricks (já em 1988) em “Gloria” de Poulenc (integral) com a Orchestre National de Lille dirigida por Jean-Claude Casadesus :

 

 

   Também no Institut Français de Portugal (IFP) o momento é de rentrée (termo apropriado) e tal sucederá nesta Sexta-feira 13 de Setembro (e também no Sábado 14) com, no seu Auditório às 20h30, o Concerto de Rentrée onde se apresenta Leïla Ssina, intérprete duma música pop, groove, para alguns alternativa (pouco).

   O IFP reproduz do seu site que «Leïla Ssina evolui num mundo louco no qual a Barbie se prostitui … e onde o jogo de amor mais parece uma partida de “toca-e-foge” do que um destino saudável. E não se pense que Leïla se satisfaz: assim como respira, ela canta… Para lutar, denunciar e ao mesmo tempo curar as feridas … As suas letras, um misto de ironia e optimismo, sublinham a única postura possível face a este mundo que se vende a si próprio. O seu sonho tem sentido e Leïla interpela a nossa vigilância para que sonhemos conscientemente com a sua música pop-groove, ácida mas necessária…».

   Eis como cantou («num jogo franco com uma energia brutal e magnética») no Théâtre des Nouveautés em Tarbes (Hautes-Pyrénées) em Maio de 2013 :

 

   Também ainda no São Luiz Teatro Municipal (SLTM) o momento é da Festa de Abertura neste fim de semana alargado de 11 a 15 de Setembro.

   O programa extenso pode ser detalhado aqui .

   No essencial ele gira em torno de Victor Gama, músico nascido em Angola e vivendo actualmente em Sintra, conhecido por um trabalho artístico que intersecta áreas tão diversas como a música, a imagem, a instalação e o desenho de instrumentos musicais contemporâneos.

   Assim, invadindo o Jardim de Inverno e os foyers adjacentes, mais de duas dezenas de instrumentos e instalações sonoras estarão ao alcance dos visitantes, convidados a tocá-los, a experimentar com o seu próprio corpo um processo livre de criação, encarregando-se Victor Gama e os seus músicos de ir criando pequenos momentos de concerto, demonstrações e oficinas dirigidas a todos os públicos.

   Este vídeo evidencia uma exposição idêntica que Victor Gama promoveu na Royal Opera House (Londres) em Fevereiro de 2013 :

   Já aqui divulgámos o seu projecto Vela 6911 exibido em Janeiro último na Fundação Gulbenkian (ver aqui) e que será agora repetido nesta Sexta-feira, 13 de Setembro, às 21h, na Sala Principal do SLTM com a Orquestra de Câmara Portuguesa.

   Já no Sábado, 14 de Setembro, às 21h, no Jardim de Inverno do SLTM, actua o Victor Gama Trio num concerto composto por três partes escritas para os instrumentos acrux, toha e dino, (estrelas da exposição Instrumentos), tocadas a solo, duo e trio na companhia da harpista Salomé Pais Matos e do percussionista António Tavares, peças que (no folheto  deste concerto) «são um voo planante sobre uma etnografia inventada».

   Do programa constam também peças que fazem parte de SOL(t)O, uma emblemática obra que ganhou visibilidade internacional graças ao convite de David Harrington, dos Kronos Quartet, para a apresentar no Carnegie Hall em Nova Iorque, em Março de 2010.

   É dessa peça que vos apresentamos um excerto :

   Outros momentos da Festa de Abertura serão, além das oficinas livres, as sessões de projecção em contínuo na Sala Principal (camarotes), de Quinta 12 a Domingo 15, a partir das 13h, (com entrada livre) das gravações do projecto Tsikaya, uma plataforma que promove os músicos que vivem e desenvolvem o seu trabalho musical no interior de Angola através da criação do primeiro arquivo digital no país.

 

 

   Não percamos o hábito de assinalar, para o lote de aficionados que já existe (e que se acentuará certamente com a programação deste ano − ver adiante o Festival Cantabile), os concertos de entrada livre que se realizam na Sala dos Espelhos do Palácio Foz.

   Nesta Sexta-feira, 13 de Setembro, às 18h, ocorre um Recital de Violoncelo e Piano onde intervêm os jóvens músicos Paulo-Edouard Senentz violoncelo e Leonor Dill piano.

   Do seu programa constam de : L. van Beethoven  Variations “Bei Männern, welche Liebe fühlen” de Mozart “Zauberflöte” Wo O46, R. Schumann Romances op.94, F. Mendelssohn Variations concertantes op.17,  R. Schumann Fantasiestücke op.73 e N. Myaskovsky Cello Sonate no.2 op.81.

 

 

   Entretanto, no Sábado, 14 de Setembro, o evento dominante deverá ser no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), às 21h (repete no Domingo 15, às 17h), o espectáculo “Mitos e Lendas da China” com a apresentação da  Trupe de Ópera de Nanquim e Pequim, em digressão nacional.

   Fundada em 1962 e com um elenco de 80 actores, muitos dos quais de grande prestígio nacional e galardoados com sucessivos prémios, esta Trupe é constituída por várias escolas artísticas e bem conhecida na China.

   Do seu extenso repertório, a Ópera de Pequim apresentará no CCB excertos das seguintes peças:

   A Collection of Beijing Opera  (O Dragão Voador e a Fénix Dançante) onde a acção é  acompanhada por percussão, integrando elementos especiais da Ópera de Pequim: guarda-roupa, maquilhagem, longas sedas usadas nas artes marciais e “mangas de água”. A solista será Fan Lexin.

   Farewell My Love (Adeus Meu Amor), a mais famosa das peças clássicas, conta a história de um amor trágico na China de há 2200 anos: cercado de inimigos, o rei do estado de Chu bebe e lamenta-se, enquanto a sua amada Yu Ji dança para o animar; quando o inimigo começa o ataque Yu Ji suicida-se pela espada para encorajar o rei a furar o cerco. O solista será Wang Can.

   The Heavenly Maiden Scattering Flowers (As Donzelas Celestiais Espalhando Flores), em que, no céu, o fundador do budismo, ao saber que o seu amigo no reino humano adoece, envia donzelas celestiais que espalham flores da sorte para eliminar tragédias no mundo humano. O solista aqui é Wang Yin.

   Mu Guiying Fighting in Hong Zhou City (A Luta de Mu Guiying na Cidade de Hong Zhou) – Ao saber que seu marido, Yang Zongbao, está cercado em Hong Zhou, Mu Guiying, embora grávida, corre em seu auxílio, mas a arrogância de Zongbao fá-la cair numa cilada. Ralha, em público, ao marido para que a disciplina seja reposta, mas acaba por se reconciliar com ele, combate o poderoso inimigo e salva a cidade (sendo solistas Fan Lexin e Zhou Jian).

   Uma outra apresentação pela Ópera de Pequim do tema Farewell My Love (ou My Concubine) interpretado por Catherine Li pode ser vista aqui :

   Entretanto, ouçamos o tema musical da quarta peça The Legend of a Heroin –Mu Guiying, interpretado por uma das mais célebres tocadoras de erhu, Yu Hongmei, neste excerto :

   Mais três ou quatro eventos interessantes (ou apenas curiosos) ocorrem neste mesmo Sábado, 14 de Setembro  (o primeiro dos quais adicionado ao Pentacórdio já na manhã de Sábado): 

 

   A nova programação da actividade artística da Orquestra Metropolitana para 2013/14 desenhada pelo maestro Pedro Amaral, novo director artístico e pedagógico do projecto AMEC- Metropolitana  (de que António Mega Ferreira é agora o director-executivo) tem o seu Concerto Inaugural  no espaço único que é o da Sala de Leitura Geral da Biblioteca Nacional, neste Sábado, 14 de Setembro, às 21h30, com entrada livre.

   O programa a executar pela Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção musical de Pedro Amaral compreende de :

      Igor Stravinsky    Pulcinella, Suite do Bailado

      Paul Hindemith  Sinfonia Mathis der Maler

   Das Notas ao Programa de Rui Campos Leitão retiraríamos :

   «Tornou-se… evidente que a música duma ópera, ou dum bailado, presta-se com renovado propósito a uma escuta exclusiva, em formato de concerto, desde que sejam feitas as necessárias adaptações. Abalou-se o preconceito que insiste em hierarquizar os diferentes géneros musicais, considerando com desassombro a vocação que lhes é própria. Neste concerto são interpretadas duas obras que, precisamente, tiveram origem no bailado e na ópera, mas cuja música se emancipou numa dimensão exclusivamente instrumental. Primeiro, a suite Pulcinella, um dos bailados de Stravinsky por si reorquestrados no período que se seguiu à Segunda Grande Guerra. Depois, é dado lugar a Hindemith, de quem agora se assinalam os cinquenta anos da morte. O compositor alemão baseou esta sinfonia na música da ópera em que se encontrava a trabalhar em 1934, Mathis der Maler. Respondeu assim ao desafio do maestro Wilhelm Furtwängler, que, com a Orquestra Filarmónica de Berlim, se propunha revelar um pouco desse ambicioso projecto…»

   Ouça-se aqui como, em 1955, o próprio Hindemith dirigiu a sua obra à frente da Filarmónica de Berlim :

 

   Assinale-se, como notícia, que a actividade artística da Metropolitana em 2013/14 se desdobrará em três eixos de programação, cada um deles associado a uma zona da cidade de Lisboa e a um espaço de performance particular.

   O primeiro eixo é a Temporada Barroca que, de Outubro a Junho, levará ao Palácio Foz um conjunto de oito concertos, fundamentalmente centrados na música de Corelli à família Bach.

   O segundo eixo é a Temporada Clássica que, estendendo-se de Outubro a Julho, proporá uma série de doze concertos, no recém-renovado Teatro Thalia, abrangendo um vasto leque de obras e compositores, com um claro epicentro no classicismo vienense, de Haydn a Schubert, e raras incursões pelo Romantismo e pelo século XX.

   O terceiro eixo é a Temporada Moderna, que proporá no (seu) espaço emblemático do Centro Cultural de Belém um leque de quatro concertos, de Outubro a Junho, com enfoque na música da primeira metade do século XX.

   A estes três eixos fundamentais,  acrescenta-se ainda um ciclo especial, “A Música na Biblioteca”, que, nas Sextas-feiras do mês de Julho, transformará a Sala de Leitura da Biblioteca Nacional de Portugal em auditório sinfónico.

 

   Na Igreja de São Vicente de Fora, às 17h, inicia-se a Temporada Setembro-Dezembro 2013 de “Concertos de Órgão” indo-se ouvir no famoso órgão (re)construido em 1765 pelo fabricante galego João Fontanes de Maqueixa, a interpretação pelo organista francês Robert Descombes das seguintes peças de :

      Louis Couperin  Chaconne em maior /3 Fantasias

      François Roberday  Fugue et caprice

      Louis Marchand  Premier livre d’orgue (Trio,Basse de trompette, Récit,Fond d’orgue, Dialogue)

      Juan Cabanilles  Tiento de falsas de 4º tono

      Anónimo  (Portugal, séc. XVII) Obra de 1º tom sobre a Salve Regina

      Fr. Diogo da Conceição Meio registo de 2º tom

      Girolamo Frescobaldi  Partite sopra l’Aria di Follia

      Georg Böhm  Christ lag in Todesbanden

      Johann Sebastian Bach  Vater unser im Himmelreich BWV 737

 

   Neste vídeo, Robert Descombes demonstra, em Improvisações, as capacidades deste órgão (João Vaz, em interessante entrevista a ouvir aqui , explica o instrumento e conta-lhe a história) :

 

 

   Entretanto, quase à mesma hora (infelizmente), no Museu da Música (na estação do Metro dos Altos Moinhos), às 18h, o Ciclo de Concertos com instrumentos históricos “Um Músico, Um Mecenas”  apresenta os já conhecidos violoncelista Levon Mouradian e cravista Jenny Silvestre, cujo programa a interpretar em dois dos mais emblemáticos «tesouros nacionais» do Museu, o Cravo Antunes (1758) e o Violoncelo Stradivarius Rei de Portugal (1725) será o seguinte :

      Guiseppe Valentini (1681-1753)  Sonata em Mi maior (1-Grave, 2-Allegro, 3-Allegro.Tempo di Gavotta, 4-Largo, 5-Allegro)

      Pietro Locatelli (1695-1764)  Sonata (1-Allegro, 2-Adagio, 3-Minuet, Tema e variações)

      Luigi Boccherini (1743-1805) Sonata em Lá maior (1-Adagio, 2-Allegro)

   A entrada é livre. Veja-se em seguida como ambos os intérpretes já tocaram a peça de Locatelli :

 

   Por último, assinale-se a chegada à Praça do Município da capital no Sábado, 14 de Setembro, às 21h30 (voltando lá no Domingo 15) do paquiderme artificial que consubstancia  “A Viagem do Elefante” iniciada na Beira Alta.

   «Trilhando (e recriando) o “caminho” de Salomão, o elefante asiático que no século XVI teve de percorrer mais de metade da Europa por capricho e curiosidade da realeza (lembra a Agenda CML), o grupo “os Trigo Limpo”, do teatro ACERT de Tondela, adaptam à linguagem do teatro, uma das últimas obras de José Saramago.

   Para este espectáculo de rua, aos actores e aos músicos, tem-se juntado as populações dos locais por onde passa, dai serem elas muito mais que público espectador, ou seja, (constata a organização) são “viventes além de videntes”.

   Contando com o contributo de Luis Pastor, cantautor que musicou os poemas do Nobel português, e com a parceria musical dos espanhóis Flor de Jara, “A Viagem do Elefante” é, nas palavras de Pilar del Río (Fundação José Saramago) uma singular celebração do “teatro da palavra com os melhores artifícios disponíveis – muita vontade, irreverência, espírito crítico, paixão pela arte e por romper os modos medievais que seguem imperando”.

   A adaptação dramatúrgica e encenação são de José Rui Martins e Pompeu José, a interpretação de António Rebelo, Hugo Gonzalez, Ilda Teixeira, João Silva, José Rui Martins, Pedro Sousa, Pompeu José, Sandra Santos, com o apoio musical de Carlos Peninha, Lourdes Guerra, Luísa Vieira, Lydia Pinho, Miguel Cardoso, Rui Lúcio, André Cardoso, Carlos Borges, Flávio Martins.

   E é tudo por agora, caros leitores.

 

 

 

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