por Rui Oliveira
São diversos (e de previsível qualidade) os eventos desta Quarta-feira, 9 de Outubro pelo que comecemos por um de provas já dadas na temporada 2010/2011.
Sob a direcção musical de João Paulo Santos, actuará a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos (este com Giovanni Andreoli como maestro titular).
A ópera, encenada por Fernando Gomes, terá como intérpretes Mário João Alves (Fadinard), José Fardilha (Nonancourt), Luís Rodrigues (Beauperthuis), João Merino (Emilio), Lara Martins (Elena), Dora Rodrigues (Anaïde), Maria Luísa de Freitas (Baronessa de Champigny), Ana Franco (Modista), Carlos Guilherme (Tio Vezinet), Marco Alves dos Santos (Felice), João Sebastião (Achille de Rosalba), José Lourenço (Um guarda),André Baleiro (Um cabo da guarda) e Alberto Lobo da Silva (Minardi).
Introduzindo-a, a ópera remete-nos para Paris, num episódio aparentemente inócuo que vem perturbar o dia do casamento entre Fadinard e Elena : o cavalo do noivo acaba de comer o chapéu de palha de uma senhora que o pousara por momentos no ramo de uma árvore. O chapéu, apesar de não se lhe adivinhar grande valor, deverá ser por alguma razão importante, uma vez que a sua dona, Anaïde (na verdade, Madame Beauperthuis), vem reclamá-lo com veemência à residência de Fadinard,
Dada a natureza da investida, Fadinard não tem como não partir em busca de um chapéu idêntico e na sua missão é seguido pelos convidados do seu casamento (ensejo para os mais variados episódios cómicos) e acaba por descobrir que o bendito chapéu havia sido oferecido a Anaïde pela sua tia, a baronesa de Champigny . As circunstâncias duvidosas em que Madame Beauperthuis teria usado o chapéu num encontro com um amante lançam a confusão geral … e a trama típica prossegue no espírito da tradição da opera buffa italiana !
Mostramos-lhe um excerto duma representação da temporada anterior (quem pretenda ouvir a ópera buffa integral no Teatro La Scala de Milão tem-na aqui ) :
Apresenta-se assim no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, na sequência e graças ao lançamento do seu novo disco “Liquid Spirit” (2013) pela prestigiada editora Blue Note.
Vem acompanhado de Chip Crawford piano, Emanuel Harrold bateria, Aaron Janes contrabaixo e Yosuke Sato saxofone.
Ainda segundo o CCB, Gregory Porter «melhor do que ninguém, fusiona o universo do jazz e da soul. Performer sincero e desarmante, possui um groove que nunca desvanece. Enquanto compositor, as suas letras falam-nos como os sonhos – com imagem e emoção».
Mais do que palavras, oiça-se a sua execução dum tema do último CD nos estúdios da KPLU (ou oiça-se o vídeo de apresentação por alguns dos seus companheiros aqui ou ainda o vídeo premiado de “Lion’s Song”, tema do álbum “Be Good” aqui ) :
Num jazz mais experimental, logo de menor público, será também (até por contraste) curioso ouvir no Pequeno Auditório da Culturgest, nesta Quarta 9, às 21h30, no ciclo “Isto é Jazz ?” (comissariado por Pedro Costa), a trompetista portuguesa Susana Santos Silva e o contrabaixista sueco Torbjörn Zetterberg que pertencem a essa nova estirpe de músicos que entende a inovação e a experimentação como algo que está no próprio ADN do jazz.
É possível ouvir aqui o registo duma sua actuação no Porto, em Maio deste ano.
Desta colaboração (acrescenta a Jazz.pt) nasceu “Almost Tomorrow”, disco que junta estes dois músicos. Nele, Susana Santos Silva, que a par do seu trabalho enquanto trompetista da Orquestra Jazz de Matosinhos e com o seu próprio quinteto tem vindo a empreender sucessivas aproximações a universos tendencialmente não-idiomáticos, vai agora mais longe do que alguma vez fora nos domínios da música improvisada.
Este é o vídeo oficial de “Feet Prison Machine”, tema do álbum Almost Tomorrow da Clean Feed (2013) :
Diz o MMTM que «habituámo-nos a ver Scout Niblett sozinha, em cima dum palco, mas também nos discos … A utilização minimalista dos seus recursos, fazendo arranjos simples e eficazes, muitas vezes apenas com guitarra e uma bateria que espera a explosão … a utilização recente de arranjos de cordas não a desvia da sua missão, de nos relatar amores e desgostos, apenas torna tudo mais belo e, simultaneamente, mais doloroso … O seu álbum deste ano e, provavelmente, o melhor da sua carreira, caminha como sempre, por entre brasas e dentes cerrados …».
Desta vez não estará isolada em palco, pois teremos, além de Scout Niblett voz e guitarra, também Miguel Ortiz Caturani guitarra, Jan Philipp Janzen bateria, Joana Guerra violoncelo e Carlos Santa Clara violino.
Acrescenta MMTM que “Gun”, logo a abrir o disco, «parece resolver o problema no modo mais cruel e violento», embora o vídeo aqui o não mostre. Outra canção emblemática é “What Can I Do” :
Nascido em Inglaterra, criado em Vacouver e residente em Nova Iorque, o saxofonista Seamus Blake tocou já então com vários nomes importantes do jazz enquanto ainda era estudante no Berklee College of Music. Em 2002, vence a prestigiada “Thelonious Monk Competition”, o que lhe permitiu actuar com Wayne Shorter, Terence Blanchard e Herbie Hancock.
No palco teremos pois Filipe Melo (piano), Bruno Santos (guitarra), Seamus Blake (saxofone), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Luís Candeias (bateria).
É possível apreender o som deste convidado integrado no seu quarteto actuando em 2011 no Smalls Jazz Club, em Greenwich Village (New York) :
Por último, o Mosteiro dos Jerónimos foi o palco escolhido para receber a actuação dos Camerata Iberia no concerto de encerramento do encontro “A Ordem de São Jerónimo: Uma história partilhada entre Espanha e Portugal”, inserido na Mostra Espanha 2013.
O grupo espanhol irá interpretar Cantatas e Tons para o Divino nesta Quarta-feira, 9 de Outubro, às 21h30 na igreja do mosteiro e o concerto tem entrada livre limitada à lotação da sala.
Como intérpretes teremos Erika Escribá Astaburuaga (voz), Jordi Comellas (viola de arco)(à esq.), Juan Carlos de Mulder (alaúde e guitarra)(à dir.) e Ignasi Jordà (órgão).
Ouçamos aqui o conjunto quase idêntico (salvo o órgão) actuando com dois violinos no Festival de Musica de Aranjuez em 2012 :


