Pois o governo Passos/Portas proibiu que a manifestação no dia 19 de Junho promovida pela CGTP-IN desfilasse pela ponte 25 de Abril. Alegou motivos de segurança, e invocou pareceres do Sistema de Segurança Interna, da PSP e parece que também da Lusoponte para fundamentar a sua decisão. A proibição foi tornada pública segunda-feira, dia 14 de Outubro, à noite. Vejam em: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1&did=125731
Já há dias que o governo vinha levantado dificuldades, pela voz do Ministro Miguel Macedo. O despacho proibitivo vem assinado também pelo Ministro da Economia Pires Lima, segundo a informação cujo reproduzimos acima. Estriba-se em motivos técnicos. Entretanto a CGTP decidiu manter a manifestação, mas fazendo a travessia da ponte por meios motorizados. Vejam em: http://www.cgtp.pt/comunicacao/comunicacao-sindical/6776-com-os-pes-sobre-rodas-marcharemos-em-protesto-pela-ponte-25-de-abril
É evidente que a proibição se destina a dissuadir as pessoas de irem á manifestação. A ponte 25 de Abril já foi utilizada para realizar maratonas com milhares de corredores, é atravessada todos os dias por um número elevadíssimo de viaturas, incluindo camiões, sem problemas. Não seria o peso dos manifestantes que a iria afectar. Por outro lado, a alternativa proposta, a ponte Vasco da Gama, é caricata. Esta ponte tem mais de dezassete quilómetros de comprimento, e somando a parte dos acessos que os participantes seriam a obrigados a percorrer, antes e depois da travessia, seriam mais de vinte quilómetros de marcha. Mais ainda a caminhada até ao local da manifestação final. Seguindo esta sugestão, a travessia do Tejo teria de começar logo de manhã, a partir de um local menos acessível, e nela só poderiam participar pessoas em boas condições físicas, o que reduziria consideravelmente o número total de pessoas a tomar parte.
O tom do governo tem subido nos últimos dias. A dureza patente na apresentação do Orçamento para 2014 não deixa margem para dúvidas. O aumento nos cortes vai ser acompanhado pelo aumento na confrontação e na repressão. Assim Passos, Portas e Maria Luís Albuquerque vão preparando o terreno para culpar os seus oponentes pelo mais que previsível aumento (mais outro) do descalabro em que estão a economia e a vida dos portugueses.


