A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Por sugestão do argonauta Rui de Oliveira, vamos logo após a nossa edição especial de 25 de Abril, movimentar o espaço de debate sobre as eleições para o Parlamento Europeu que terão lugar em 25 de Maio. Será o debate inaugural do nosso Forum. A pertinência desta discussão é sublinhada pela iniciativa levada a cabo por seis importantes órgãos da imprensa continental – The Guardian, Le Monde, La Stampa, El País, Gazeta Wyborcza Süddeutsche Zeitung – a ideia é similar – saber o que pensam os respectivos leitores sobre as eleições europeias.
“Eis uma frase pendular ” cidadãos vão tomando consciência de que *governo* e *oposição* são como irmãos envolvidos numa querela, na disputa de uma herança… O voto popular, em vez de escolher os que vão servir a Democracia, vai decidindo quem vai por quatro anos beneficiar das vantagens do poder.” A falta de uma educação cívica tem este resultado …lamentável mesmo .No entanto ,grita-se,berra-se e canta-se “Grândola ” o que revela correr atrás de um tempo perdido -Maria
Eu não diria que “os cidadãos vão tomando consciência de que governo e oposição são como irmãos envolvidos numa querela, na disputa de uma herança”.
Diria, sim, que a maioria dos cidadãos (e não esqueçamos que o “medium” mais influente continua a ser a TV, cujas audiências se deleitam, em larga escala, com os programas mais boçais e alienantes que os diversos canais lhes servem, o que se repercute dramaticamente na “formação” de uma opinião pública completamente desorientada e acrítica) continua a ser vítima da manipulação dos detentores do poder (os verdadeiros, não os seus lacaios que se vão substituindo na governação).
O próprio editorial não consegue demarcar-se da influência da esmagadora pressão dessa campanha permanente de manipulação, ao falar em “oposição” como se esta fosse uniforme, acolhendo, assim, a ideia subliminarmente incutida na chamada “opinião pública” de que este termo coincide com um único partido: o PS. Ideia incessantemente repetida (à boa maneira das campanhas publicitárias, ou da velha doutrina de Goebbels, o que não é substancialmente diferente) na mensagem que constantemente se faz passar com a expressão “partidos do arco de governação”, conceptualmente imbecil (coisa que pouco incomoda os seus “espertalhaços” autores e divulgadores), mas generalizadamente utilizada, mesmo por jornalistas e comentadores que se consideram inteligentes e informados. Expressão para cuja perversidade já mais de uma vez chamei a atenção, aqui no blogue.
Diria também que a propaganda neo-liberal continua a expressar-se generalizada e incansavelmente, sem uma refutação eficaz, que desnude a sua vacuidade intelectual, graças à ignorância generalizada da maioria dos profissionais de informação e à cumplicidade interessada de alguns deles, ficando a intervenção crítica séria dispersa por pequenas bolsas de cidadãos pensantes, que não encontram acolhimento bastante nos grandes meios de comunicação de massas, aliás propriedade dos referidos detentores reais do poder…
Diria ainda que, enredada na teia de banalidades que constitui o grosso da “informação” que esse Poder permite que lhe chegue, a maioria dos cidadãos continua a ingerir distraidamente o tal conceito deteriorado e fora de prazo de “oposição amalgamada” que lhe enfiam pelas goelas, no qual se procura dissimular a existência de forças políticas com ideias e programas efectivamente diferentes da “corrente (ou torrente?) dominante”. Desse modo desmobilizando-a de, com o seu voto, lhes conferir uma maioria parlamentar que, não sendo panaceia definitiva para os males que nos assolam, abalaria decisivamente o Império da Mentira que, paulatinamente, vai ocupando o espaço da Democracia.
Diria, finalmente, que o actual estado de coisas e a incapacidade de as populações para o alterarem me conduz à preocupada previsão (partilhada com gente bem mais conhecida e reconhecida pelas suas qualidades intelectuais) da derrocada final deste “sistema”, cujas consequências, na hipótese mais optimista, passarão pela reedição amplificada das piores catástrofes político-sociais que abalaram a Humanidade ao longo da História. Resta-nos esperar que, dos escombros desta desordem instituída e da incomensurável monstruosidade do sofrimento que se adivinha, possa, finalmente, emergir uma organização política, económica e social mais justa, não por um decréscimo do instinto de predação que continua a dominar grande parte da espécie humana (em cujas potencialidades de redenção já deixei de acreditar), mas pela mera tomada de consciência de que essa será a única via para garantir a sua sobrevivência.
Por «oposição» queríamos, neste caso, referir o PS, alternativa de poder ao PSD. E nem sequer quereríamos envolver na sua totalidade um partido onde algumas «sensibilidades» se mantêm fiéis às bases programáticas de 1973 – pessoas com quem podemos não estar de acordo, mas que respeitamos. Por «oposição», queríamos significar a facção oportunista, neo-liberal, que tomou conta da direcção do PS e que funciona como um clone do PSD.