Site icon A Viagem dos Argonautas

COMUNICADO DOS SINDICATOS DA RTP’ – CONTRATO DE CONCESSÃO DITA FIM DA RTP

 Enviado por Paulo Rato, que também fez a nota introdutória.

 

Nota introdutória

 

Dou conhecimento deste comunicado, porque se trata de um dos mais graves ataques já perpetrados contra a Democracia por este governo e aqueles a quem serve.

Não tenhamos ilusões. Sem serviço público de rádio e TV – gerido de modo a, mesmo com a inclusão de programas mais “populares” (que os directamente interessados na sua destruição, uns intelectuais enevoados e os tontos, em geral, “acham” não deverem fazer parte deste SP) atrair um volume de audiências que impeça a sua redução à quase inexistência, reservando-o para umas “elites” culturais que, de tão minoritárias, tornam ineficaz a sua acção, o que será pretexto, um pouco mais adiante, para a sua completa extinção. A  liberdade de expressão limitar-se-á a existir formalmente mas, de facto, não funcionará; as “ideias” que não emanem do “pensamento dominante”, de um “centrão” esclerosado ou da ruminação de banalidades da “vaca do poder” (também conhecido por “arco” do dito) que hoje atafulha quase todo o tempo e espaço dos “media” não chegarão à esmagadora maioria dos cidadãos. O pluralismo não passará de uma paupérrima encenação. O círculo de indivíduos bem informados, com acesso à cultura – em todas as suas componentes, incluindo as que dizem respeito às ideias políticas, económicas e sociais – e capazes de PENSAR mirrará até à insignificância, emudecidas as sua opiniões pelos “critérios jornalísticos” que bem conhecemos, especialmente atentos à vicissitudes sentimentais dos “famosos”, às acesas polémicas futebolísticas e aos saundebaites (em inglês: bitaites), sem substância mas tonitruantes, dos politiqueiros que empestam a Pátria e de uns quantos “fazedores de opinião”, que não passam de “artistas” circenses, sem Circo que os acolha, por falta de qualidade profissional.

Mas aquilo a que venho assistindo, mesmo entre aqueles que deveriam tomar como seu este combate pela defesa de um SP a sério, é a uma completa distracção e à cedência do terreno ao inimigo – inimigo mesmo, vil, indigno, venal, desprezível, boçal -, sem qualquer luta.

O que está em causa é a Democracia. E estou a lembrar-me, precisamente, de um grande país que se apresenta como o maior patrono e defensor da Democracia e onde o exercício desta não passa de uma gigantesca fraude, precisamente porque o seu SP de rádio e TV – aliás, de excelente  qualidade, tem uma audiência talvez da ordem dos 0,5% da população (e talvez esteja a ser optimista): os EUA. Pois… Onde há mais que dois partidos, mas… quem conhece os outros? Onde só quem tem dinheiro pode ser candidato a qualquer função pública. Onde os grandes operadores de TV só dão a conhecer, muito democraticamente, os tais dois partidos, em nome – evidentemente – de “critérios jornalísticos” mui democráticos!…

Paulo Rato

COMUNICADO dos SINDICATOS da RTP

Ao final da tarde de ontem, os sindicatos da RTP foram informados em reunião com o Conselho de Administração de que o entendimento transmitido pela tutela acerca de partes do projecto de contrato de concessão de serviço público implicará o fim absoluto da produção própria da RTP, passando esta a emitir exclusivamente programas comprados a outros.

Os sindicatos consideram desde já, que o objectivo descrito, se fosse levado à prática, colocaria em causa no imediato, o futuro da RTP e do Serviço Público de Rádio e Televisão, tal como consagrado constitucionalmente.

A este projecto incompreensível, que não tem qualquer sustentáculo estratégico, técnico ou financeiro, acresce ainda a decisão do governo de diminuir drasticamente os custos com pessoal, na ordem dos 31,5 milhões de euros que dificilmente seria atingida sem o despedimento de largas centenas de trabalhadores.

Os sindicatos foram ainda informados pelo conselho de administração, de que ao mesmo tempo que toma este tipo de decisões, a tutela terá recusado à empresa a legitima recuperação do minuto e meio de publicidade/hora que a RTP deu em troca do protocolo subscrito com a SIC e TVI e que foi recentemente denunciado.

As organizações sindicais consideram que neste momento, nem o C.A. nem a tutela lhes garantem condições objectivas para prosseguir as negociações do Acordo de Empresa em curso e exigem quer ao conselho quer ao governo, definições claras e transparentes e rapidamente sobre o futuro próximo da RTP.

Na sequência das declarações recentes do Exmo. Sr. Presidente, Dr. Alberto da Ponte, e do Sr. Administrador, Eng. Beato Teixeira, no parlamento, nomeadamente a de que, “O negócio principal da RTP, não foi, não é e nunca será o de produzir programas de televisão”, os sindicatos reafirmam que não negoceiam o que quer que seja, com este ou com qualquer outro conselho de administração, tendo como base a possibilidade de despedimentos ou da amputação mortal de áreas fundamentais para a prestação do serviço público de rádio e televisão da RTP e que são a razão da sua existência.

Daquilo que fazemos, depende o que somos.

A Rádio e Televisão de Portugal exige e aguarda respostas.

Lisboa, 30 de Outubro de 2013

Os Sindicatos

SINTTAV, SMAV, STT, SITIC, FE, SPEUE, SICOMP, SJ, FETESE / SITESE, SJ

Exit mobile version