FORUM DA ARGOS – A PROPÓSITO DA CARTA DA EMBAIXADORA DE CUBA À RTP 1- por Paulo Rato

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Também eu e a minha mulher (jornalista) considerámos asquerosa mas, antes de mais, jornalisticamente péssima e completamente arredada dos mais elementares princípios do Código Deontológico dos Jornalistas, esta coisa a que a embaixadora de Cuba se refere.   O que não significa que nos tenhamos espantado, tendo em conta o estado de degradação para o qual a Empresa tem sido empurrada, a situação de dependência governamental a que está a ser reconduzida, nomeadamente com as mais recentes alterações na Direcção de Informação, e o claro objectivo dos seus actuais responsáveis e da tutela de a reduzir à quase total insignificância, desbaratando um trabalho de décadas que lhe permitiu alcançar um merecido estatuto de prestígio e confiança junto dos cidadãos.   Naturalmente que o papel fundamental da RTP na defesa (e cumprimento!) dos princípios e valores da Democracia parece ser um incómodo para os actuais detentores do poder executivo, pois só o serviço público não pode (embora ultimamente a actual DI o tenha, escandalosamente, feito) invocar suspeitíssimos “critérios jornalísticos” para se eximir ao cumprimento da missão que lhe é constitucionalmente cometida. No dia em que este SP atinja a insignificância por que o actual Governo anseia, os operadores privados, sozinhos no terreno, reduzirão a liberdade de expressão a mero folclore. Nomeadamente, em períodos eleitorais, só os partidos que têm passado pelo poder merecerão atenção noticiosa, em nome dos tais “critérios jornalísticos”, sendo silenciadas ou reduzidos a meros “ornamentos” de uma pretensa isenção e objectividade, todas as outras correntes políticas, em geral incómodas para os democratas de aviário.   Como membro, durante muitos anos, de diversos órgãos representativos dos trabalhos e do Conselho de Opinião (hoje em dia também praticamente inócuo), sei do que falo.

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