Tu, José de Anchieta, à beira do Mondego, no Real Colégio de Artes, estudas humanidades e filosofia. E logo te distingues pela facilidade de versejar em latim. Os teus colegas aliam o local onde nasceste ao local aonde passaste a estudar e dão-te o simpático apelido de “Canário de Coimbra”.
Magro, franzino, testa ampla, nariz comprido, barba mal semeada, feições predispostas à alegria, não fosse um esgar que, de vez em quando, as arrepanha. Dores, e muitas, na tua empenada coluna vertebral que mais parece um S…
Apesar do sofrimento que te deixa cada vez mais encurvado, não desistes do rumo que já traçaste para a tua vida. Em 1551, tens tu dezassete anos, és recebido como noviço na Companhia de Jesus. E ali ajudas a dizer de cinco a dez missas por dia, são orações que não acabam mais… Acreditas piamente no poder divino. Por isso crês que a tua cura baixará um dia do Reino dos Céus. Sou um céptico. Mas não posso deixar de apreciar e louvar a tua crença que afinal é força de vontade convertida em esperança.
Fazes voto de castidade. Mais acirrado fica o meu cepticismo, casto eu cá não sou. Em contrapartida sou cauto. Ou seja: terei sempre cautela

