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POESIA AO AMANHECER – 375 – por Manuel Simões

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                           FRANCISCO JOSÉ TENREIRO

                          ( 1921 – 1963 )

            CANÇÃO DO “OBÔ”

             O sol golpeia as costas do negro

            e rios de suor ficam correndo.

             Ardor!

             O machim golpeia o pau

            e rios de seiva escorrendo.

             Ardor!

             Os olhos do branco

            como chicotes

            ferem o mato que está gritando…

 

            Só a água sussurrantemente calma

            corre p’ra o mar

             tal qual a alma da terra!

 

            (de “Ilha de Nome  Santo”)

Poeta ligado ao movimento neo-realista português, a sua obra poética é considerada como primeiro exemplo de negritude. Editou, com Mário de Andrade, o “Caderno de poesia negra de expressão portuguesa” (1953) e foi incluído em “Letteratura Negra. La Poesia” (1961). Autor de numerosos ensaios sociológicos e geográficos, de que é exemplo “A Ilha de S. Tomé” (1961). Obra poética: “Ilha de Nome Santo” (1943).

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