POESIA AO AMANHECER – 227 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

FRANCISCO JOSÉ TENREIRO

(1921 – 1963)

EXORTAÇÃO

Negro

para quem as horas são sol e febre

que colhes

nesse ritmo de guindaste.

Negro

para quem os dias são iguais

que respeitas teu patrão e senhor

como água que mexe o engenho.

Negro!

Levanta os olhos prao sol rijo

e ama tua mulher

na terra húmida e quente!

(de “Ilha de Nome Santo”)

Nasceu em S. Tomé e Príncipe, veio para Portugal ainda menino, onde faleceu. Participou na Casa dos Estudantes do Império. É considerado o primeiro poeta da negritude africana de língua portuguesa. Publicou no “Novo Cancioneiro” o livro “Ilha de Nome Santo” (1942) e a sua poesia foi reunida no volume “Obra Poética” (1967).

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