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DIVIDIR POR ZERO – por Fernando Correia da Silva

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            Sempre gostei de brincar e especular com números. Naquela época o Guerreiro, o chefe do escritório, andava a tirar o curso noturno no Instituto Comercial, já ia no segundo ano, eram quatro, parece-me. A Matemática era muita areia para a sua camioneta, nem sequer conseguia perceber o enunciado dos teoremas… Começou a disparatar:

            – Tretas, é só tretas. Quem é que me prova que um número a dividir por zero é igual ao infinito? Isto cabe na cabeça de alguém?

            Levantei a luva:

            – Provo eu! Acreditas nos cálculos dessa Facit?

            – É uma boa máquina!

            – Mas Guerreiro, acreditas na Matemática que sustenta essa máquina?

            – Afonso, nessa eu acredito, é palpável.

            – Então agarra aí na Facit.

            Mandei que pusesse um número qualquer no dividendo e ele pôs 1969 Mandei que pusesse zero do divisor e ele pôs. Mandei que fizesse a operação e ele começou a dar à manivela. Os dentes não engrenavam e a cada volta da manivela subia um ponto no quociente, um, dois, três, dez, cem, mil, dez mil, cem mil, um milhão, por aí acima…

          – Estás a ver, Guerreiro? Mais máquina houvesse a mais aumentaria o quociente. Se tu ficasse a dar à manivela até ao fim dos tempos e se a barra da máquina se estendesse até ao infinito, também o quociente lá chegaria… Está feita a demonstração!

            Ficou aparvalhado, larguei-me a rir.

 

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