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POESIA AO AMANHECER – 403 – por Manuel Simões

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J. H. BORGES MARTINS

                                                                                   (1947)

            EM MEMÓRIA DE JOAQUIM AGOSTINHO,

            CICLISTA E MEU AMIGO

            foste como a brisa num perfume

            de rosas

            nessa tua fúnebre canção

            inesperada.

 

            caminhavas sobre duas montanhas

            de aço rolante

            como o sol ou a ternura que desliza

            pela cilada dos caminhos.

 

            amava-te como buda ou são cristóvão

            quando percorrias os caminhos

            vestido

            de pássaro voador e chegavas

            sempre com a tua camisa enlameada

            de rosas e espinhos.

 

            mas um dia partiste como o silêncio

            da noite

            sem despedida nem adeus

            montado em duas rodas de bruma

            e as mãos da morte colheram-te

            no teu regaço

            como um automóvel esmaga as pobres

            violetas

 

            e ficaste amigo para sempre

            sepultado no caminho

            da nossa eterna desventura.

            (da antologia “Nove Rumores do Mar”)

Poeta e cronista. Inserido em muitas antologias, entre as quais “14 Poetas Daqui e de Agora” (1971), “Antologia Poética os Açores” (II vols., 1979-1982), “Poemabril. Antologia Poética” (1984), “Os nove rumores do mar – Antologia da Poesia Açoriana Contemporânea” (1996). Da sua obra poética: “Silêncio Vertical” (1971), “Galope em Quatro Esporas” (1976), “Mitologia das Armas” (1987), “Salmo à Rainha de Sabá e Outros Poemas” (1997).

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