POESIA AO AMANHECER – 399 – por Manuel Simões

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JOSÉ MARTINS GARCIA

                                                    ( 1941 – 2002 )

            “EU NÃO SOU QUEM FIQUEI…”

            Eu não sou quem fiquei; o meu delito

            Lá anda atrás de forma mal formada

            Pelo convés do vento, p’la amurada

            Do mar interno e franco onde me agito.

 

            Passaporte caduco… As fronteiras que invado

            São migalhas de sombra e restos de sentido.

            Tudoé fragmento em verbo diluído

            Através do convés lentamente embalado.

 

            Eu não sou quem, atado, coincide

            Com foto de cartão de identidade.

            Sou memória dum mundo que me invade,

            Sou espaço que o ar prensa e divide.

             (de “No Crescer dos Dias”)

 Poeta, romancista e crítico literário. Foi director-adjunto do “Jornal Novo” (1976). Biógrafo de Vitorino Nemésio. Obra poética: “Feldegato Cantabile” (1973), “Invocação a um poeta e Outros poemas” (1984), “Temporal” (1986), “No Crescer dos Dias” (1996). É autor de “Para uma Literatura Açoriana” (1987) e de “Exercícios de Crítica” (1995).

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