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OS NACIONALISMOS NA UCRÂNIA E NA CRIMEIA, por MICHEL LHOMME

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Os nacionalismos na Ucrânia e na Crimeia

Para lá do problema … 

Michel Lhomme, revista metamag, 11 de Março de 2014.

Falar da questão ucraniana, é também falar deste país e da sua população, das suas forças vivas. Com efeito, a Ucrânia pode a Ucrânia ser um país independente? Deverá ela estar obrigatoriamente enfeudada à Europa ou à Rússia? O destino deste país não nos é ele comum?

É necessário evocar o orgulho combatente do povo ucraniano, como algo de inestimável. É tanto verdadeiro que em Paris, se “hitleriza” este povo, considerando-o como uma peste. Os nacionalistas ucranianos seriam de extrema-direita e, para além disso, seriam igualmente terríveis anti-semitas. Isto não importava a Bernard Henri-Lévy enquanto pudesse manipular Maïdan! Ora, os nacionalistas ucranianos, são (“o Sector Direito”, ajuntamento dos vários movimentos nacionalistas ucranianos como Tryzub ou o UNA-UNSO) e um partido nacionalista julgado mais “moderado”, Svoboda. São os militantes destes partidos que morreram em Maïdan. Ora, os nacionalistas ucranianos morreram por Kiev não por Putin.

Putin tinha confiado a Ucrânia a uma minoria étnica que se aproveitou do poder para se impor e russificar. Era uma minoria corrompida que utilizou a pior das propagandas, a antiga propaganda soviética a saber o antifascismo, o antinazismo e que abusou para fazer calar aos Ucranianos o amor pela pátria. Mas, vitoriosos, os nacionalistas ucranianos ganharam uma primeira partida! Primeiro, obtiveram a libertação de todas as pessoas presas aquando dos motins, o despedimento de cinquenta juízes acusados de corrupção, o perdão para um pai e o seu filho condenados por terem abatido um magistrado, símbolo da corrupção postcomunista, e atribuíram a concessão a um membro do partido Svoboda do posto de procurador geral de toda a Ucrânia. Durante este tempo, a rua, dominada pelo Praviy Sektor forçou Yulia Timochenko a uma situação de reforma antecipada, fazendo com que retirasse a sua candidatura e fazendo-lhe claramente saber que a Ucrânia não está disposta a tornar-se uma colónia americana.

Foi também e sempre o Praviy Sektor, descrito nos meios de comunicação social ocidentais como um animal imundo que teve êxito em fazer rejeitar a candidatura ao posto de Primeiro ministro do campeão dos Americanos, Vitaliy Klitchko. O facto é que o Praviy Sektor foi mestre na negociação e não se situa como Svoboda virado em direcção ao Ocidente. Porque o que é que significa um olhar confiante para o Oeste (dixit Svoboda), numa zona de fronteira, se não for uma fidelidade?

Se Svoboda e o Praviy Sektor entrarem em conflito, se os funcionários de Svoboda se baixam face aos homens de Soros, o Praviy Sektor será o carneiro preto sacrificado sobre o altar da ocidentalização. Os nacionalistas ucranianos devem pedir, e o mais rapidamente possível, garantias nas suas novas relações económicas, energéticas e diplomáticas com a Rússia. As relações internacionais não se constroem sobre a simpatia entre parceiros ou sobre a defesa de uma causa comum. As relações internacionais são baseadas em interesses comuns, quando as partes contratantes estão numa relação de forças mais ou menos igual. Paradoxalmente, é por vezes também no ódio recíproco que se constroem as melhores alianças, que é o caso actualmente na Ucrânia, entre nacionalistas ucranianos e nacionalistas russos. Não é inconcebível que, nos próximos meses, venha a incumbir precisamente aos nacionalistas ucranianos de gerirem as suas relações com a Rússia. O pior seria uma polarização Svoboda contra Praya Sektor, fonte potencial de uma guerra civil vantajosa para muitos de acordo com o velho princípio maquiavélico “de dividir para reinar”.

O regresso à calma na Ucrânia não se fará sem um consenso forte com os nacionalistas radicais que ultrapassaram a oposição parlamentar e que são a força viva do eurasismo a construir, esta esperança de construir um novo Estado na fronteira com a Europa, um Estado, nacionalista e ortodoxo. Se não for assim, a Ucrânia caminhará para uma cisão de facto, transformar-se-á uma grande Moldávia a Oeste e numa Nova Ossécia a Leste (e numa Crimeia nomeadamente). A Ucrânia terá, então, sido sacrificada numa luta geopolítica feroz entre os grandes conjuntos sobre o continente. Ela será, então, reduzida a não ser mais do uma espécie de colónia e de que se teria instrumentalizado os nacionalistas a fim de quebrar uma esperança europeia maior, uma esperança de constituir um país realmente independente.

Pode-se então imaginar que estes micronacionalismos, estes regio-nacionalismos terão servido apenas para assegurar a extensão da NATO e a integração das nações europeias num conglomerado sob dominação americana. Privar a Europa de uma aliança com a Rússia, é também impedir o grande regresso europeu para o Leste, para o Ural.

Ver o original em:

http://metamag.fr/metamag-1885-LES-NATIONALISMES-EN-UKRAINE-ET-EN-CRIMEE-Au-dela-de-l’affaire…-.html

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