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EDITORIAL – O CANSAÇO DE JOHN KERRY

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Parece que John Kerry está cansado das delongas no conflito israelo-palestiniano. O facto é que, segundo a notícia abaixo, informou haver limites de tempo para as negociações entre as duas partes.  Ora vejam esta notícia do Público, do sábado passado:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/kerry-investiu-tudo-na-paz-no-medio-oriente-mas-a-paciencia-esta-a-chegar-ao-fim-1631160

Está claro para todos que as chamadas negociações israelo-palestinianas se arrastam há muito tempo, tempo demais, sobretudo para as populações dos territórios ocupados e bombardeados regularmente. Entretanto pode-se ler na notícia acima referida que parte do plano apresentado por John Kerry incluiria, por parte de Israel, a libertação de mais 26 presos palestinos e o abrandamento na construção de novos colonatos na Cisjordânia; da parte da Autoridade palestiniana, a aceitação do prolongamento das negociações de paz até 2015 (estava agendado estarem terminadas, agora, em Abril de 2014) e abster-se de procurar o reconhecimento oficial da Palestina junto das organizações internacionais). Informa ainda a notícia que nenhum destes passos foi respeitado.

Qualquer observador mais sereno fará o reparo de que o plano de John Kerry, com estas cláusulas de permeio, estaria condenado a não ser cumprido. Para Israel, o avanço na construção dos colonatos é parte essencial da sua política de expansão, que alega ser essencial à sua segurança. Mesmo um simples afrouxamento está fora de questão. Para os palestinos, as cláusulas de John Kerry equivalem a mais um prolongamento do seu calvário, conducente a agravar ainda mais a situação em que se encontram, dada a situação desesperada em que encontram muitos dos seus, oprimidos e pressionados para deixarem a sua terra natal. Por isso não espanta que o plano não tenha sido levado a sério.

Não adianta perder tempo a discutir a boa fé ou não de John Kerry. O facto é que, no terreno, os israelitas têm as mãos livres para actuar. Apenas ainda não se atreveram a começar a expulsar os palestinos das suas casas em massa, para lá instalarem quem lhes interessa. Quem quiser realmente trabalhar em prol da paz na Palestina tem de começar por reconhecer este dado básico. E perceber que tentar estabelecer o meio termo entre o opressor e o oprimido, sem visar a alteração da situação de opressão, apenas vai ser para a eternizar. John Kerry sabe isto com certeza.

 

 

 

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