Poema de Agostinho da Silva (quinta e última quadra do poema “Por tudo perguntou Sócrates”, in “Uns Poemas de Agostinho”, Lisboa: Ulmeiro, 1989 – pág. 88) Dito por José-António Moreira (in “Sons da Escrita” N.º 299, 08-Out-2010)
Nem verdade nem mentira
uma coisa assim assim
e se queres saber mais
não me perguntes a mim.
O que escrevo de versinho
Poema de Agostinho da Silva (in “Uns Poemas de Agostinho”, Lisboa: Ulmeiro, 1989 – pág. 79) Dito por José-António Moreira (in “Sons da Escrita” N.º 298, 01-Out-2010)
O que escrevo de versinho
é na verdade o que sinto
mas porque procuro a forma
de qualquer maneira minto
o que eu quero era poder
dar naquilo que escrevesse
de tal modo o que me sou
que a todos apreendesse
sem os prender no entanto
deixando-os livres de ser
mas que sentissem então
o que eu fosse sem dizer
ser poema não poeta
é que vejo como um alvo
se o não for para que vivo
mas se for me vivo e salvo.
Ser Poema
Poema: Agostinho da Silva (quadras avulsas extraídas de vários poemas, in “Uns Poemas de Agostinho”, Lisboa: Ulmeiro, 1989; “Quadras Inéditas”, Lisboa: Ulmeiro, 1990) Música: Pedro Abrunhosa Intérprete: Anamar* (in CD “Anamar”, Metropolitana, 2013)
Se eu chegar a ser de um Outro
mas de mim não me perdendo
e esse Outro todos os outros
que comigo estão vivendo
Não só homens mas também
os animais e as plantas
e os minerais ou os ares
e as estrelas tais e tantas
Terei decerto cumprido
meu destino e com que sorte
para gozar de uma vida
já renascida da morte
Mais que tudo quero ter pé
bem firme em leve dança
que o saber seja de adulto
mas o brincar de criança
Não corro como corria
nem salto como saltava
mas vejo mais do que via
e sonho mais que sonhava
Ser poema não poeta
é que vejo como um alvo
se não o for para que vivo
mas se for me vivo e salvo [bis]
Viva a vida disse a vida
e nunca mais se morreu
Deus em si nos retomando
o tempo eterno nos deu
Nunca voltemos atrás
tudo passou se passou
livres amemos o tempo
que ainda não começou
Cada vez mente que sonha
dentro de mim tem mais voz
sonhadora que se sonha
e nos sonha a todos nós
Mais que tudo quero ter pé
bem firme em leve dança
que o saber seja de adulto
mas o brincar de criança
Não corro como corria
nem salto como saltava
mas vejo mais do que via
e sonho mais que sonhava
Ser poema não poeta
é que vejo como um alvo
se não o for para que vivo
mas se for me vivo e salvo. [bis]
* [Créditos gerais do disco:] Anamar – voz Paulo Borges – acordeão, piano, samplers Tiago Maia – guitarras (eléctrica e acústica) Francisco Santos – baixo, contrabaixo Rui Freire – bateria, percussão Coros – Anamar, Francisco Santos, José Bettencourt, Paulo Borges, Rui Freire, Tiago Maia Arranjos e direcção musical – Paulo Borges Produção – Anamar Co-produção – Paulo Borges Produção executiva – Anamar, Paulo Borges, Paulo Ventura Gravado nos Estúdios Namouche, Lisboa, por Joaquim Monte e José Fortes, em Agosto de 2012 Misturas – José Fortes Masterização – Andy Van Dette