CANTIGA, PARTINDO-SE, de JOÃO ROIZ DE CASTELO-BRANCO
joaompmachado
CANTIGA, PARTINDO-SE, de JOÃO ROIZ DE CASTELO-BRANCO
Senhora, partem tan tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Cancioneiro de Resende, III, 134.
Nota – Fui buscar esta poesia ao Florilégio do Cancioneiro de Resende, da Textos Literários, 2ª edição, de 1944, com selecção, prefácio e notas de Rodrigues Lapa. Cantiga, partindo-se tem o número 16 na selecção, a págs. 15-16. Transcreve-se a seguir a nota de Rodrigues Lapa:
“Cantiga lindíssima, universalmente conhecida, cujo encanto parece residir, em parte, num sábio aproveitamento dos processos melódicos da expressão: a insistência intensiva do advérbio tam, a aliteração do t e a assonância e rima das palavras em i.”
Vejam também nas Vidas Lusófonas o que Fernando Correia da Silva escreveu sobre João Roiz de Castelo-Branco, a sua obra e em especial sobre esta Cantiga, partindo-se. Vão a: