Ontem, domingo, 25 de Maio, houve eleições para o parlamento europeu. Dois terços dos eleitores não foram votar. Um terço foi. O PS foi o partido mais votado. Podem-se tirar muitas ilações sobre diversos aspectos, mas sem dúvida que o que merece maior reflexão é a elevada taxa de abstenção. Segundo as notícias, também foi alta noutros países. Mas mais alta do que em Portugal, só em países do leste, saídos do antigo bloco soviético. Também se deve assinalar que os votos brancos e nulos, somados, chegarão possivelmente a totalizar cerca de 7 por cento dos votos expressos.
No conjunto das nações europeias, a taxa de participação foi pouco superior a 43%. Deve-se chamar a atenção para que há países onde o voto é obrigatório, o que terá influência no cálculo geral. Alguns sentir-se-ão tentados a concluir que se trata de um sentimento generalizado de afastamento em relação às instituições europeias, e talvez mesmo em relação à ideia da União Europeia. Sem afastar essa hipótese, será melhor analisá-la a partir dos resultados definitivos.
Dois aspectos contudo serão de referir já. O primeiro é que a enorme taxa de abstenção enfraquece consideravelmente as eventuais equiparações destas eleições a um referendo para a manutenção ou o afastamento do poder do governo Passos/Portas. E, claro, afasta o cenário de eleições antecipadas, a pretexto dos resultados de ontem. O ar aliviado de Passos Coelho e de Paulo Portas na televisão mostra-o bem. E não parece oportuna a pretensão de Seguro, dirigida ontem ao Presidente da República, com esta base. O segundo, é de que é urgente uma reflexão nacional alargada sobre a permanência ou saída da União Europeia. Reflexão essa que seria nacional, em primeiro lugar, mas que, numa segunda fase poderia ser conjunta com entidades de outros países.