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FRATERNIZAR – JESUS E AS MULHERES, um livro de Antonio Piñero – por Mário de Oliveira

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O título do Livro é altamente sugestivo e prometedor. O Autor, licenciado em Filosofia Pura, Filologia Clássica, Filologia Bíblica Trilingue, e doutor em Filologia Clássica, tem tudo para garantir seriedade científica a este seu trabalho. Trata-se, no dizer do próprio Autor, de uma obra que “apresenta praticamente todos os textos que a literatura evangélica dos três primeiros séculos nos oferece sobre o tema Jesus e as mulheres”. Bastaria esta informação para nos mover a adquirir e a estudar este Livro de 250 páginas. E, quando o Autor diz “praticamente todos os textos”, é mesmo disso que se trata, pois neste volume encontramos tudo o que sobre o tema é garantidamente atribuído ao chamado Jesus histórico e, também tudo o mais que vem referido nos 4 Evangelhos em 5 volumes, e nos livros do Novo Testamento, mais ainda o que, a este propósito, hoje se conhece dos Evangelhos apócrifos e outros textos gnósticos, por sinal, super-explorados actualmente pelos escritores de romances, em busca de fama e de proveito financeiro.

Contra toda a especulação que sobre Jesus e as mulheres se tem por aí ficcionado a granel, o Autor não tem dúvidas em garantir que Jesus é um homem célibe, totalmente comprometido com a Causa política do Reinado de Deus, radical na sua visão política alternativa do mundo, por isso, não compreendido, muito menos seguido pelos familiares mais próximos, mãe incluída e irmãos de sangue, elas e eles, que só aparecem, depois da sua morte maldita na cruz do império, à frente do judeo-cristianismo em Jerusalém, inclusive no templo, certamente, para – e isto já não o diz o Autor, mas a realidade histórica que o Autor, apesar de tanta erudição, parece desconhecer de todo, certamente, devido ao cristianismo que ingenuamente ainda professa – com isso, tirarem proveito do que então se dizia que estava para acontecer naqueles dias, a respeito da vinda em poder e glória do Reinado de Deus sobre as nuvens do céu.

 Um mito que as gerações de então pagaram caro e bem caro, porque o que efectivamente veio, no ano 70, foi a invasão de Jerusalém pelos exércitos do império romano que não deixaram da cidade, pedra sobre pedra, nem ninguém vivo no seu chão e arredores. O facto, pelos vistos, não parece ter servido de lição para o futuro, inclusive, para o nosso hoje, uma vez que estão aí de novo a proliferar igrejas cristãs antigas e recém-fundadas, que garantem a pés juntos que é agora, por estes dias, que tudo isso vai acontecer. São igrejas cristãs cegas que, entretanto, se têm por guias dos demais. E que os demais aceitam piamente, tamanho o Medo ancestral com que vivem possessos. E, assim, vão fanaticamente para o abismo, porventura, para um inferno nuclear, quando os milhares de milhões de empobrecidos já não suportarem mais a sua pobreza imposta pelo grande poder financeiro global, o Cristo laico anti-Jesus, o filho primogénito de Maria.

 O Autor – vê-se sobejamente neste seu precioso Livro, que assim, não o é tanto quanto deveria e poderia ser – não consegue libertar-se e distanciar-se da sua formação/formatação cristã bíblica e por isso esta sua obra, com um certo carácter de estudo exaustivo, científico e definitivo sobre Jesus e as mulheres, acaba por ficar ainda bastante aquém da realidade histórica que só se conhece, fora do âmbito e da influência, sempre nefasta, do cristianismo e da igreja católica romana, a única que dominou as mentes dos povos e das populações até Lutero, no século XVI, e ao aparecimento das igrejas cristãs protestantes e evangélicas. As quais, neste particular, acabam por ser ainda mais papistas que o papa de Roma e do que a igreja católica romana, uma vez que fazem da Bíblia a sua principal, ou mesmo única base de apoio, sem cuidarem de saber, primeiro, como ela foi concebida, por quem foi mandada elaborar, que interesses visa alcançar e defender. Igrejas cristãs, completamente à revelia de Jesus, o filho de Maria, que, em seu tempo e missão, fez questão de se demarcar da Bíblia do judaísmo e acabou condenado à morte e executado em nome dela, pior, para que se cumprisse nele tudo o que nela está escrito. Mas como o que se fez historicamente com Jesus é o hediondo dos hediondos, a abominação das abominações, então, a Bíblia é a fonte e a justificação ideológica/ teológica desse hediondo, dessa abominação.

 Esclarece o Autor, ainda na abertura desta Edição, que “este livro que agora se reedita pela Editorial Trotta, foi publicado em 2008 por Aguilar, do grupo Santillana. Algumas teólogas feministas espanholas ignoraram-no voluntariamente, quer nas listas bibliográficas, quer nas suas obras de síntese sobre as mulheres no cristianismo primitivo.” Estranha-se, mas é um facto que o próprio Autor não se inibe de denunciar, agora. E que só as teólogas feministas espanholas poderão explicar porque o fizeram até esta data. E esta postura delas não terá, certamente, a ver com o facto do Autor ser homem e não mulher. Poderá ter a ver, isso sim, com um certo desconforto, porque o Livro não dá protagonismo bastante às mulheres e às lideranças femininas, no Movimento político maiêutico desencadeado por Jesus e a sua Ruah, com destaque para Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena, que se distanciaram do judeo-cristianismo de Pedro e de Tiago, depois de Paulo e de Constantino, imperador de Roma. E é imperioso regressarmos a Jesus, ao seu Movimento político maiêutico, e ao testemunho das mulheres sobre Jesus.

Pois bem, desta realidade outra, fala com desenvoltura o Livro do Pe. Mário de Oliveira, “Evangelho de Jesus, Segundo Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena”, Edium Editores, 3.ª Edição, Março 2012. Mas quem, do cristianismo e das igrejas cristãs, o acolhe e estuda?! Enquanto não nos abrimos a esse Livro, verdadeiramente outro, acolhamos, pelo menos, este. É, de resto, uma boa introdução para melhor entendermos aquele. E, para despertar o “apetite” para este JESUS E AS MULHERES, eis aqui, a concluir, alguns títulos de outros tantos capítulos: 7 Jesus e as mulheres durante o seu ministério; 12 Jesus casado? 13 Jesus celibatário? 14 Um Jesus bígamo? 15 Um Jesus homossexual? 18 Maria Madalena, a esposa de Jesus? – Corram por ele, no site da respectiva Editorial Trotta.

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