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Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 6 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Toada de Goa

Poema: Vasco Graça Moura (in “O Concerto Campestre”, Lisboa: Quetzal Editores, 1993; “Poesia 1963/1995”, Lisboa: Quetzal Editores, 2007 – págs. 469-470)

Música: José Campos e Sousa

Intérprete: António Pinto Basto* (in CD “Letras do Fado Vulgar”, Zona Música, 2003)

Com um nó na garganta

com o sarro de tanta

noitada de Lisboa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

pode ser o resgate

do coração que bate

descompassado à toa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

pode ser uma espuma

de já coisa nenhuma

só lembrança que voa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

pode ser o inseguro

fogo-fátuo no escuro

lá no mastro da proa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

pode ser este brusco

silêncio ao lusco-fusco

que nas almas ressoa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

entre azul e lilás

pode ser o fugaz

tempo que não perdoa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

nesta dura deriva

da memória cativa

que a saudade magoa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

[instrumental]

amanhecer em Goa | bis

entardecer em Goa |

entre azul e lilás

pode ser o fugaz

tempo que não perdoa

amanhecer em Goa

entardecer em Goa

nesta dura deriva

da memória cativa

que a saudade magoa

amanhecer em Goa

anoitecer em Goa

* José Luís Nobre Costa – guitarra portuguesa;  Francisco Gonçalves – viola; Armando Figueiredo – viola baixo

Fado da Corda Bamba

Poema: Vasco Graça Moura (in “Letras do Fado Vulgar”, Lisboa: Quetzal Editores, 1997 – págs. 58-59; “Poesia 1997/2000”, Lisboa: Quetzal Editores, 2000 – pág. 230-231)

Música: José Campos e Sousa

Intérprete: António Pinto Basto* com Maria João Quadros (in CD “Letras do Fado Vulgar”, Zona Música, 2003)

Se você me deixou na corda bamba

e se eu me estatelei mordendo o pó

não sei se isso é um fado ou se é um samba

se mantém a toada ou se descamba

sei que se foi embora e fiquei só

não sei se isso é um fado ou se é um samba

não sei se isto é um fado ou se é um samba

se é um fado deixaste-me no Tejo

se é samba foi no Rio de Janeiro

duas medidas para um só desejo

em fado ou samba assim no duplo ensejo

da mesma língua a dar-lhe um só roteiro

duas medidas para um só desejo

duas medidas para um só desejo

antes fique eu a meio do caminho

da nossa vida para recordá-la

ou mais depressa ou mais devagarinho

poderei sussurrá-la num fadinho

ou num sambinha doce murmurá-la

ou mais depressa ou mais devagarinho

ou mais depressa ou mais devagarinho

se é fado direi “tu” mas imagina

que se é samba prossigo com “você”

em qualquer caso nunca desafina

sujeito e predicado são rotina

de em fado ou samba perguntar porquê

em qualquer caso nunca desafina

em qualquer caso nunca desafina

mas se você me deixou na corda bamba

e se eu me estatelei mordendo o pó

não sei se isso é um fado ou se é um samba

se mantém a toada ou se descamba

sei que se foi embora e fiquei só

e canto o mesmo fado e o mesmo samba

[instrumental]

em qualquer caso nunca desafina

ai se você me deixou na corda bamba

e se eu me estatelei mordendo o pó

não sei se isso é um fado ou se é um samba

se mantém a toada ou se descamba

sei que se foi embora e fiquei só

e canto o mesmo fado e o mesmo samba

e canto o mesmo fado e o mesmo samba

se você me deixou na corda bamba

e se eu me estatelei mordendo o pó

não sei se isso é um fado ou se é um samba

se mantém a toada ou se descamba

sei que se foi embora e eu fiquei só

* Bernardo Couto – guitarra portuguesa; Armando Figueiredo – viola e viola baixo:  Cajó (Carlos Jorge Vales) – percussão; Produção e arranjos – José Campos e Sousa; Arranjo de “Fado da Corda Bamba” – Armando Figueiredo;  Gravado, misturado e masterizado nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores – Algés, em Outubro e Novembro de 2002;  Engenheiro de som – Joel Conde;  Masterização – Joe Fossard

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