Nota prévia:
Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à página
http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html
e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.
Toada de Goa
Poema: Vasco Graça Moura (in “O Concerto Campestre”, Lisboa: Quetzal Editores, 1993; “Poesia 1963/1995”, Lisboa: Quetzal Editores, 2007 – págs. 469-470)
Música: José Campos e Sousa
Intérprete: António Pinto Basto* (in CD “Letras do Fado Vulgar”, Zona Música, 2003)
Com um nó na garganta
com o sarro de tanta
noitada de Lisboa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
pode ser o resgate
do coração que bate
descompassado à toa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
pode ser uma espuma
de já coisa nenhuma
só lembrança que voa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
pode ser o inseguro
fogo-fátuo no escuro
lá no mastro da proa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
pode ser este brusco
silêncio ao lusco-fusco
que nas almas ressoa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
entre azul e lilás
pode ser o fugaz
tempo que não perdoa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
nesta dura deriva
da memória cativa
que a saudade magoa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
[instrumental]
amanhecer em Goa | bis
entardecer em Goa |
entre azul e lilás
pode ser o fugaz
tempo que não perdoa
amanhecer em Goa
entardecer em Goa
nesta dura deriva
da memória cativa
que a saudade magoa
amanhecer em Goa
anoitecer em Goa
* José Luís Nobre Costa – guitarra portuguesa; Francisco Gonçalves – viola; Armando Figueiredo – viola baixo
Fado da Corda Bamba
Poema: Vasco Graça Moura (in “Letras do Fado Vulgar”, Lisboa: Quetzal Editores, 1997 – págs. 58-59; “Poesia 1997/2000”, Lisboa: Quetzal Editores, 2000 – pág. 230-231)
Música: José Campos e Sousa
Intérprete: António Pinto Basto* com Maria João Quadros (in CD “Letras do Fado Vulgar”, Zona Música, 2003)
Se você me deixou na corda bamba
e se eu me estatelei mordendo o pó
não sei se isso é um fado ou se é um samba
se mantém a toada ou se descamba
sei que se foi embora e fiquei só
não sei se isso é um fado ou se é um samba
não sei se isto é um fado ou se é um samba
se é um fado deixaste-me no Tejo
se é samba foi no Rio de Janeiro
duas medidas para um só desejo
em fado ou samba assim no duplo ensejo
da mesma língua a dar-lhe um só roteiro
duas medidas para um só desejo
duas medidas para um só desejo
antes fique eu a meio do caminho
da nossa vida para recordá-la
ou mais depressa ou mais devagarinho
poderei sussurrá-la num fadinho
ou num sambinha doce murmurá-la
ou mais depressa ou mais devagarinho
ou mais depressa ou mais devagarinho
se é fado direi “tu” mas imagina
que se é samba prossigo com “você”
em qualquer caso nunca desafina
sujeito e predicado são rotina
de em fado ou samba perguntar porquê
em qualquer caso nunca desafina
em qualquer caso nunca desafina
mas se você me deixou na corda bamba
e se eu me estatelei mordendo o pó
não sei se isso é um fado ou se é um samba
se mantém a toada ou se descamba
sei que se foi embora e fiquei só
e canto o mesmo fado e o mesmo samba
[instrumental]
em qualquer caso nunca desafina
ai se você me deixou na corda bamba
e se eu me estatelei mordendo o pó
não sei se isso é um fado ou se é um samba
se mantém a toada ou se descamba
sei que se foi embora e fiquei só
e canto o mesmo fado e o mesmo samba
e canto o mesmo fado e o mesmo samba
se você me deixou na corda bamba
e se eu me estatelei mordendo o pó
não sei se isso é um fado ou se é um samba
se mantém a toada ou se descamba
sei que se foi embora e eu fiquei só
