Clausewitz foi um militar prussiano que participou nas campanhas contra Napoleão, tendo chegado a fugir para a Rússia, numa altura em que o seu país celebrou uma aliança com o imperador corso. Pessoa de cultura assinalável, não foi de modo nenhum um combatente de secretária, tendo estado directamente envolvido em várias campanhas. É-lhe atribuída a famosa frase “A guerra é a continuação da política por outros meios”.
Para muita gente, talvez a maioria das pessoas, a guerra e a política não são a mesma coisa. Ambas visarão alcançar objectivos por meios diversos, mesmo totalmente diversos. O recurso à guerra só deverá ocorrer quando a política falha. A frase de Clausewitz parte de uma base diferente, na medida em que não afasta a noção de que os mesmos objectivos possam ser alcançados na guerra ou na paz. A opção por uma ou por outra será feita conforme a maneira de pensar e de ver a situação concreta dos governantes envolvidos, para além dos meios de que dispõem. Para usar uma imagem, reduz a distância entre as duas.
Recomendamos a propósito a leitura de um artigo de Noam Chomsky, America’s Real Foreign Policy – A Corporate Protection Racket, que poderão ler no primero link abaixo. No segundo link encontrarão a tradução para português de Vila Vudu, publicada em redecastorphoto. A comparação entre a política norte-americana e os procedimentos dos gangues descritos nos filmes de Martin Scorcese ou na trilogia O Padrinho não é exagerada, nem descabida. Olhe-se com atenção para a guerra do Iraque, para o ataque ao Panamá em 1989, e para uma série de episódios da política internacional norte-americana do século XX (a continuar no século XXI) e chega-se a conclusões parecidas com as de Chomsky, sem grande desvio. Dirão alguns defensores da política norte-americana que não são os únicos vilões da história (com H grande e com h pequeno), e que em todos os tempos existiram as guerras de saque e conquista. É verdade, mas isso não justifica que se martirizem povos e se altere à força a geografia política, ainda por cima invocando liberdades e direitos humanos. Estes últimos, regra geral, ficam em pior estado após a passagem da “guerra infinita”, como lhe chamou o Bush II. A guerra é encarada, ao fim e ao cabo, como um procedimento normal, como uma acção política qualquer. Depois, admiram-se (será só a fingir?) quando aparece o novo califado do Estado Islâmico do Iraque e Levante.