O LABIRINTO DA ÁGUA, de Eric Frattini – por Adão Cruz
carlosloures
“Alguns aspectos da casta e bela história da igreja”, é como, ironicamente, Adão Cruz, que se estreia nesta rubrica em que os argonautas registam as suas impressões de leituras, define esta obra do escritor, professor e jornalista peruano Eric Fratinni, cuja obra assenta na incessante denúncia da mentira, do crime, da corrupção que envolvem o catolicismo. Vamos ler o que Adão Cruz nos revela sobre esta obra.
Eric Frattini, nascido no Peru em 1963, é um dos maiores investigadores e conhecedores dos meandros da Igreja Católica. Escreveu cerca de vinte livros, publicados em quinze países, uma boa parte deles à volta do Vaticano e da Igreja. Professor universitário, professor em academias policiais, conferencista, escritor, ensaísta, novelista, analista político, guionista de televisão para as principais cadeias de televisão, correspondente no Médio Oriente.
Li há pouco o seu penúltimo livro “O Labirinto de Água”, que trata da descoberta do Evangelho de Judas Escariote, e de todos os crimes que a Igreja Católica fez por intermédio do cardeal Lienart, Secretário de Estado do Vaticano, e do seu grupo secreto “Octogunus”, constituído por oito padres espiões e assassinos, para impedir que a verdade que se esconde nesse pergaminho conheça a luz do dia. Este livro foi best-seller em Espanha e foi editado recentemente em Portugal.
O último livro de Eric Frattini, “Los papas e el sexo”, editado não há muito tempo em Espanha, e creio que ainda não traduzido para português, foi o número um de vendas da Casa del Libro e um dos mais vendidos em Espanha. Este novo livro é um passo audaz e penetrante nesse mundo vedado que é o Vaticano, onde o divino e o humano travam uma batalha permanente, e onde tudo o que não é considerado sagrado é secreto. Segundo um jornalista espanhol, é um verdadeiro “punhetazo” no coração da Igreja. Para escrever este livro, diz Frattini, leu centenas de livros desde 1743 até à actualidade.
Diz o autor que com este livro que vai “De S. Pedro a Bento XVI”, pretende introduzir o leitor, de forma histórica, nas obscuras estâncias papais, onde Inocêncios, Pios, Clementes, Bentos, Bonifácios, Joões ou Paulos, deixaram histórias de conspirações, vício e sexo.
Diz ainda o autor que houve papas casados e pederastas, violadores e homossexuais, fetichistas e adúlteros, travestis e voyeuristas, masoquistas e sadomasoquistas, filhos de padres e assassinos de papas, pais de papas e filhos de papas, pois, como alguém disse um dia, “há de tudo na vinha do Senhor”.
É um livro que promete fazer muita luz sobre toda a podridão da Igreja Católica e um grande documento para mostrar ao mundo a falsa “santidade” dessa mesma Igreja. Este apaixonante livro mostra como os papas de Roma, enquanto, por um lado, condenavam e castigavam o incesto, a homossexualidade, a violação, a infidelidade, a pederastia, a sodomia ou o adultério eclesiástico, por outro lado praticavam-no, sem o menor decoro, à sombra do poder da Tiara e no silêncio e na obscuridade dos seus dormitórios.