DE BRUXELAS, ONDE REINAM A IGNORÂNCIA E A MALDADE, À REALIDADE DOS PAÍSES EM IMPLOSÃO – 8. O EMPREGO E O INVESTIMENTO EM OUTUBRO, UMA RETOMA INTERMINÁVEL – II – pelo OBSERVATÓRIO TRENDEO
joaompmachado
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
8. O emprego e o investimento em Outubro, uma retoma interminável
Observatório Trendeo, L’emploi et l’investissement en octobre, une interminable reprise
Blog | Trendeo, 20 de Outubro de 2014
(conclusão)
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O comércio entra no vermelho
O sector de comércio (por grosso e a retalho) tem estado a suprimir empregos desde há dois trimestres.
As criações são orientadas à baixa, as supressões estão orientadas à alta, a soma destas duas tendências , de sentido contrário, dá uma baixa muito marcada pela saldo líquido de empregos líquidos (entre criados e suprimidos) desde 2010.
O sector de comércio (de retalho e por grosso) exclui empregos nestes dois últimos trimestres.
As criações são orientadas à baixa, as supressões são orientadas à alta, a acumulação destas duas tendências dá uma baixa muito marcada por diminuição de empregos líquidos ( entre criados e excluídos) desde 2010.
Este é um fenómeno significativo e preocupante dado que este sector continua globalmente a ser o primeiro sector na criação de postos de trabalho em termos líquidos desde 2009, com um saldo positivo de 89.000 empregos.
As ETI e as grandes empresas, sempre com comportamentos divergentes
A comparação da evolução dos postos de trabalho criados e suprimidos por categoria de empresa mostra uma discrepância significativa entre as empresas de dimensão média, pois enquanto estas criaram quase 90.000 empregos desde 2009 as grandes empresas suprimiram mais de 50.000.
A principal diferença entre o comportamento das ETI e das grandes empresas reside no seu comportamento quanto à supressão de empregos: face à crise, as ETI foram bem mais resilientes e têm mantido os seus sites de produção.
Quanto ao levantamentos de fundos, o software está em primeiro lugar
Em 2014 analisámos os levantamentos de fundos, assim como identificamos as startups (com dois critérios: business model inovador e criação desde há menos de cinco anos).
As 344 operações recenseadas de levantamentos de fundos representam quase 1,8 mil milhões de euros levantados e 5.428 empregos criados.
Em média, cada levantamento de fundos corresponde à criação de 16 empregos.
A análise dos dados mostra que o sector do software é o principal ramo nestes valores, com 24% dos levantamentos de fundos e 36% dos empregos anunciados. O sector da edição é aqui muito relevante devido à edição de software e poderia ser acrescentado ao sector 62, conduzindo à 1/3 dos levantamentos de fundos no software.
O sector do I&D científico contem muitos projectos nas biotecnologias.
Na Ile-de-France, as startups são muito importantes
Com 34% das startups identificadas e 40% dos levantamentos de fundos registados, a Ile-de-France confirma o seu papel de capital.
As startups e os levantados de fundos, que identificamos desde há já alguns meses, estão muito geograficamente concentrados.
As cinco primeiras regiões francesas metropolitanos representam 70% das startups identificadas, 70% dos levantamentos de fundos e 70% dos empregos criados por startups.
Isto enquanto as cinco primeiras regiões francesas representam apenas 50% das criações de empregos em geral, com todos os tipos de empresas juntos.
Uma economia fragilizada
A economia francesa está sempre, desde meados de 2012, num estado depressivo onde as criações de emprego e o investimento só uito raramente conseguem a substituir os empregos perdidos,
A indústria nem sempre tem tido uma retoma clara embora esteja com menores constrangimentos que no passado .
Falta-lhe estar animada de um movimento geral de crescimento: cada um dos grandes sectores industriais parece depender de uma conjuntura que lhe é própria. Por exemplo, enquanto que o automóvel reduziu fortemente as suas perdas de empregos em 2014, é a aeronáutica que cessa de os estar a criar.
O marasmo da indústria, sector de forte valor acrescentado, não é compensado pelo dinamismo dos serviços.
As dificuldades nascentes do sector do comércio mostram mesmo que a baixa do poder de compra das famílias está a atingir o consumo.
O sector bancário poderá possivelmente conhecer o seu pior ano desde 2009.
Por último, os novos anúncios de supressão de empregos públicos acrescentam-se às dificuldades das empresas, pelo menos a curto prazo.
Há apenas os sectores do software e dos conselhos e serviços especializados que continuam a apresentar um tal dinamismo que as criações de empregos são claramente as supressões de empregos .
O crescimento que permitiria apagar as pesadas perdas do período 2008-2009 não tem estado sempre presente e, ao ritmo actual, serão necessários vários anos para a inversão da evolução do desemprego.
Na hipótese de novas turbulências bolsistas ou monetárias, as magros melhorias da economia poderiam mesmo ser perdidas e voltarmos então a estar perante uma tendência francamente negativa.