Os artistas plásticos são quem, neste ambiente insano de falsa alegria, nos salva. O uivo do Vasco no seu cartoon e esta frase tão realista e prudente do Dorindo Carvalho, com um bacalhau substituindo prosaicamente o pinheiro da tradição escandinava – Bom Natal … se der para tal.
O dar transcende aqui a mera dimensão económica – ganha um significado anímico. E como podíamos nós cantar/com o pé estrangeiro sobre o coração – perguntava num poema, traduzido pelo argonauta Manuel Simões) o laureado com o Prémio Nobel, o poeta italiano Salvatore Quasímodo, referindo-se à ocupação alemã.
E nós, como podemos nós ser felizes com o pé da senhora Merkel pontapeando os traseiros dos lacaios indígenas que nos pisam o coração, roubando-nos direitos inalienáveis, violando a Lei Fundamental a torto e a direito – “Uma situação excepcional exige a tomada de uma medida excepcional”, disse Pires de Lima, justificando a requisição civil na TAP.
De facto, situações excepcionais, requerem medidas excepcionais. Um executivo que ascende ao poder com promessas eleitorais que não cumpre, substituindo o que prometeu por medidas de austeridade que raiam o terrorismo, exige que o povo assuma posições de excepção.
Como podemos nós cantar e desejar um Natal feliz? Um bom Natal, se der para tal. E para a maioria dos portugueses, não dá.