Angela Merkel declarou achar inevitável para ver a Grécia sair do euro, caso o Syriza vença as eleições no próximo dia 25 na Grécia. A pressão é clara, por muitos ângulos que se queiram introduzir na questão. O simples facto de a chefe de estado do país mais poderoso da União Europeia (UE) se pronunciar sobre as eleições noutro país da mesma UE, por mais inócuas que sejam as suas declarações, constitui uma pressão, pois põe quem vai votar em sentido, a prestar atenção ao que diz a poderosa senhora. Uns aceitarão as objurgatórias de Sua Excelência, outros não, mas infelizmente a experiência mostra que, normalmente, os primeiros constituem um número apreciável.
É evidente que Merkel e seus amigos não querem que o Syriza vença as eleições na Grécia. Tsipras anuncia não querer sair da zona euro, nem da UE, pretende sim uma reestruturação da dívida do seu país, e acabar com as medidas mais gravosas que têm recaído sobre os seus compatriotas em nome da austeridade. Ora é isto que os responsáveis alemães não querem de modo nenhum. A Alemanha conquistou a supremacia na Europa emprestando dinheiro e vendendo produtos altamente sofisticados (desde submarinos a bimbys) aos outros países. Tirou partido de uma indústria pesada desenvolvida e cuidadosamente mantida, a partir do século XVIII, através de guerras mundiais e das mais diversas conjunturas. Tem hoje problemas internos, como uma população envelhecida e uma banca regional necessitada de recapitalização e reestruturação que tem procurado enfrentar, utilizando as vantagens que lhe advêm da sua posição privilegiada na Europa. Conseguiu voltar ao primeiro plano da política, tornando-se um pilar da NATO e da UE, e formando um baluarte contra a URSS e o perigo socialista (a vários níveis). Não quer perder o seu lugar privilegiado vendo a esquerda avançar num país da Europa, porque obviamente teme o contágio. E sabe que será apoiada, dentro e fora da EU.
Esta preocupação, efectivamente, não é exclusiva da Alemanha. Recordem-se as declarações de Jean-Claude Juncker, actual presidente da comissão europeia, na sua primeira visita oficial depois de tomar posse do cargo, precisamente à Grécia, de que na próxima visita, esperava encontrar à sua espera as mesmas caras. Que isenção! Que imparcialidade!
Propomos que leiam os links seguintes:
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=4323413


