TODOS QUEREMOS AMAR E SER AMADOS por Luísa Lobão Moniz
clara castilho
A sociedade tem sido muito permissiva em relação à Violência, melhor dito às violências, pois não existe uma só violência, existem tantas quantas as circunstâncias que a envolvem.
A sociedade foi tolerando a violência sobre as crianças até que escolas, hospitais e a comunicação social lhe deram visibilidade.
Decorreram muitos anos até que se entendesse que os pais, os adultos não são donos das crianças e que nada justifica a violência.
Muitas vezes a violência sobre a criança é justificada pelos próprios pais. A mãe diz que o pai só bate quando chega a casa bêbado, o pai diz que a mãe bate porque a criança não obedece, não a respeita….muitas são as justificações familiares e de vizinhança.
Algumas crianças são violentas devido às relações familiares e à figura de referência.
Alguém faz a criança violenta…
Falta percorrer muito caminho, muitas lágrimas serão choradas, muitas feridas serão curadas, muita falta de auto-estima irá despontar, muita notícia irá aparecer nos meios de comunicação social, muita violência irá surgir perante os olhos indignados dos adultos que reclamam castigo imediato para o agressor, mas facilmente esquecem os gritos feitos violência das crianças…porque não é nas suas casas.
A criança cresce e torna-se adolescente, jovem começa a estabelecer laços afectivos com os seus amigos e muitos começam a namorar. É uma alegria sem fim, mas também é uma tristeza bem amarga.
Começa-se a falar de violência no namoro. Um dos namorados quer dominar, controlar, dar a palavra final. Nada melhor que a chantagem afectiva, que os gritos, que as humilhações perante os amigos. Esta relação conflituosa pode culminar na violência física, que por vezes é justificada pelos dois: ele/a estava fora de si, tinha bebido bebidas alcoólicas, estava drogado; é a última vez, não volto a bater e eu não me afasto para ir falar com o meu amigo.
Isto é um susto! O que faz os jovens aceitarem e justificarem a violência, não são dependentes economicamente, não têm filhos, não vivem (alguns) na mesma casa, então porque não se afastam?
É difícil de compreender a violência no namoro porque é complexa e tem uma componente afectiva ” bato porque gosto dela”, ” Faço troça dele à frente dos amigos para ele ver que tem que mudar, porque eu gosto dele”.
O/a agressor/a, a vítima e os amigos que assistem são cúmplices desta violência.
O que significa gostar de alguém? O outro é para “usar e deitar fora’, é para eu me afirmar?
Que representações têm estes jovens das relações amorosas?
Todos querem amar e ser amados.
É bom que se reflicta sobre as imagens, sobre os comportamentos, sobre os valores, sobre a sociedade a que pertencemos e a que vem nos écrans da televisão, nos jogos, nos filmes e nas sociedades que cultivam outros valores em relação à criança, ao género, à liberdade religiosa, ao poder…