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EDITORIAL – AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, A POLÍTICA E O PETRÓLEO

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O reconhecimento da ocorrência das alterações climáticas e a análise das suas causas continuam a ser objecto de posições bastante distintas. Há quem reconheça a necessidade de as acompanhar de perto, e de actuar urgentemente no sentido de prevenir o seu agravamento, e há quem mesmo negue a sua ocorrência. Para agravar a situação, importantes “lobbies” procuram influenciar os decisores políticos, usando métodos bastante persuasivos, para não empregar neste momento outro termo mais directo.

Avultam entre estes “lobbies” os ligados à indústria do petróleo. São conhecidas as ligações entre esta e o mundo da política. A indústria do petróleo, ao longo do século XX, desenvolveu um poder incalculável à volta do mundo. Não é exagero dizer que a vida de países depende dela. Ameaçada várias vezes pelo espectro de esgotamento das reservas ou pela concorrência da energia nuclear, encontrou o seu adversário mais temível nos defensores do ambiente e da natureza, na constatação da ocorrência das alterações climáticas, e de que estas se devem pelo menos em parte à acção do homem. A descoberta de novos métodos de extracção, a partir das rochas de xisto, terão vindo mesmo reforçar o poder das companhias líderes do sector. Estas esforçam-se por menorizar os efeitos nocivos das suas operações, e alargar cada vez mais o seu campo de acção, como ao Árctico, apesar dos enormes riscos ambientais para o planeta, ou à Ucrânia, não temendo aqui agravar problemas políticos e ambientais com a extracção em larga escala de petróleo dos xistos, pelo método do “fracking”[i], que neste país parece oferecer perspectivas económicas bastante vantajosas.

Na sua acção de influenciar as posições dos políticos, chegam a intervir nas campanhas eleitorais, apoiando mesmo as posições dos que negam a ocorrência das alterações climáticas. É o caso do senador Jim Inhofe, do Oklahoma, que está a ser apoiado pela inglesa BP, responsável há poucos anos por um derrame gigante no Golfo do México (ver primeiro link abaixo). Outra situação perspectiva-se no leste da Ucrânia, onde uma empresa norte-americana se propõe fazer extracção do petróleo a partir dos xistos (ver terceiro link). Nela trabalha um filho do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

 

http://www.theguardian.com/us-news/2015/mar/22/climate-sceptic-us-politician-jim-inhofe-bp-political-action-committee

 

http://www.theguardian.com/business/2015/mar/22/shell-oil-driling-in-arctic-set-to-get-us-government-permission

http://aviagemdosargonautas.net/2014/08/01/a-empresa-em-que-o-filho-de-joe-biden-e-director-prepara-se-para-a-obtencao-de-gas-de-xisto-no-leste-da-ucrania-por-tyler-durden/

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[i] Ver em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fraturamento_hidr%C3%A1ulico

 

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